
Em 1960, Edgar Morin e Jean Rouch saíram pelas ruas de Paris perguntando a pessoas comuns sobre a vida, felicidade, enfim, sobre assuntos cotidianos. A intenção, segundo Rouch era extrair a verdade do cinema, mas o termo Cinema Verdade causou polêmica entre os críticos, dizendo que só o fato de existir uma câmera, tornava as pessoas artificiais.
Na realidade, esse termo não é novo. Em 1929, Vertov já fazia filmes na Rússia utilizando os termos Kinoglatz (o cinema-olho) e Kinopravda (o cinema-verdade). Mas, o sucesso de seus filmes com montagens inovadoras e cunho propagandista, não impediram que Crônicas de Verão (Rouch e Morin) ficasse conhecido como o marco inicial do Cinema Verité.

A técnica era simples, as pessoas falavam diretamente para a câmera, respondendo a perguntas, dando depoimentos, interagindo com o cineasta. Hoje pode parecer esquisito chamar isso de inovador, mas na época não era costume. A televisão ainda era muito recente, assim como a gravação do som direto, tudo soava como experimentação.
Em contrapartida, surge nos Estados Unidos, meio que por acaso, o Cinema Direto. Com o advento de novas tecnologias, inclusive câmeras mais leves com som aclopado, Robert Drew resolve filmar em um estilo que a câmera não intervisse no objeto filmado. Hoje em dia, isso também parece absurdamente simples, basta lembrar dos Big Brothers. Porém, na época era uma inovação nunca antes vista.
O Cinema Verdade era muito criticado por lembrar o tempo todo ao expectador que eles estavam vendo um filme. No cinema direto, eles buscaram exatamente o contrário. Eram feitas longas filmagens para uma posterior montagem, buscando o naturalismo que fazia do expectador um observador da situação, era a "novela da vida real". Um dos grandes representantes do movimento foi Frederick Wiseman e seu filme mais expressivo é Titicut Follies de 1967.
Hoje em dia, o mais comum é que os documentários mesclem as duas técnicas, tornando o filme mais dinâmico, mas é possível encontrar filmes como Justiça de Maria Augusta Ramos que utiliza apenas do processo de observação como era pregado pelo Cinema Direto. O próprio Rouch renovou sua técnica em quase cem anos de atuação, isso é que é interessante de perceber nessa mostra de mais de sessenta filmes do diretor, e melhor, a entrada é franca.
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