
Por isso, senti uma tristeza ao ver uma sala de pré-estreia (normalmente disputada com filas enormes) tão esvaziada. As pessoas demonstraram um certo preconceito com o popular, como se fosse algo menor, brega. Temo pela bilheteria do longa, se a visão continuar essa, até porque o público de Chacrinha, ou seja a grande massa, não frequenta cinema. Segundo pesquisa recente apenas 9% da população vai aos cinemas. Loucura, não é?
Voltando ao longa, o diretor Nelson Hoineff fez uma escolha muito feliz. Como ele declarou antes da exibição do filme não é um documentário biográfico, é um resgate do clima do programa de auditório e do mundo criado por Chacrinha. Em um estilo clássico, há depoimentos atuais intercalados com cenas dos antigos programas. Levando em consideração que ele utiliza tanto os dois da extinta TV Tupi (A buzina e a discoteca do Chacrinha) e o da Rede Globo (Cassino do Chacrinha), foram muitas horas de decupagem. Com a ajuda de Newton Cannito, o roteiro é inteligente e a montagem constrói discussões interessantes como a real situação das Chacretes, as figuras emblemáticas e os calouros sem noção. É possível rir com um desafinado que diz ter alma de artista e afimar ser melhor que Roberto Carlos, a quem considera uma enganação.
Todas as chacretes são homenageadas, vemos a situação atual de cada uma delas, em sua maioria, longe da fama, como cozinheira, dona de mercadinho, entre outras. E o contraste com Rita Cadillac, a única que conseguiu se manter na mídia. O filme vai sendo construído a partir da lembrança das pessoas. Vários artistas se revezam na tela, com maior ou menor destaque. E um depoimento emocionante de Russo, o eterno ajudante de palco.

É um filme que diverte, resgata uma cultura que começa a ser esquecida e dá voz a pessoas que perderam o seu espaço na mídia. Por isso, é tão belo e fundamental. Que o nosso país não seja de um povo sem memória, viva a Alô, Alô, Terezinha!