
Em determinado momento, o roteiro parece ficar sem alternativa e mescla as cenas da câmera flagrante com outras em que seria impossível uma testemunha ocular. Isso quebra o ritmo do filme e o torna confuso. Não por ser difícil de comprender as cenas, mas por ser complicado entender onde o diretor quer chegar com aquilo. Ainda assim, a idéia é válida.
Distrito 9 é construído como uma grande crítica social. Através do exemplo fictício dos Aliens, ele mostra como foram formadas as favelas, o crime organizado, o tráfico de drogas e a marginalização na sociedade mundial. Só por essa idéia já é muito bom. Nos conduzindo a pensar como eles, Neill Blomkamp apresenta um protagonista humano babaca, egoísta e extremamente preconceituoso e o contrasta com o alien sensível, pai zeloso, cientista e ético. Porém, este é uma exceção em uma nuvem de Aliens que mais se assemelham a bichos irracionais, pulando em busca de comida de gato ou brigando para sobreviver diante da invação da MNU.

A perseguição a Wikus torna-se mais importante que as discussões sobre a situação dos Aliens, esvaziando o argumento inicial e construindo cenas de ação confusas, já que o diretor se perde um pouco. Distrito 9 torna-se um campo de batalha sanguinário, que cria tensão e entretem, mas acaba fazendo a crítica social, ponto forte do filme, cair no vazio, junto com os "camarões" e humanos soldados. Ainda assim, traz um fôlego novo à ficção científica, inovando na construção de alienígenas não-maniqueístas (nem bons, nem maus) e alertando para o preconceito inerente à raça humana.