
O filme é baseado na história real de Michael Jerome Oher, um garoto negro, pobre, filho de uma viciada em crack que é adotado por uma família rica e branca tornando-se um astro do futebol americano. O longa é uma espécie de mistura de Preciosa e Invictus, com uma dose de fantasia um pouco mais desconcertante. Não sei até que ponto tudo ali é real, mas tudo parece romanceado demais para ser crível. Aristóteles em sua Poética já dizia que, em uma narrativa, é melhor você escolher coisas irreais, mas críveis, do que coisas reais, mas incríveis. É o conceito da tal verossimilhança que falta em Um Sonho Possível. Tudo é fácil demais para o jovem Michael. Não há um grande conflito e os que aparecem são frouxos e facilmente resolvidos.


Um sonho possível fala de esperança, de valores familiares e de superação, mas o problema é que ele não aprofunda nada disso. O roteiro vai passando superficialmente por tudo como se dissesse "não sei como foi possível, só sei que foi assim". Sandra Bullock está realmente muito bem como a perua loura de bom coração, mas nada excepcional. Após ver sua atuação começo a torcer pelo terceiro Oscar de Meryl Streep, apesar de ter dito que a interpretação da atriz em Julie e Júlia não merecia o prêmio. Na verdade, a interpretação chave do filme é do garoto Jae Head, que faz S.J., o irmão adotivo de Michael. Quinton Aaron é apenas honesto em seu Big Mike.
O fato é que a história do garoto negro, gordo e pobre (tal qual Preciosa) que encontra a superação pelo esporte de uma forma meio mágica, vencendo jogos improváveis (como em Invictus), pode ter conseguido sua indicação ao Oscar, mas não atinge a profundidade necessária para um bom drama. Ainda assim, é um filme a ser visto.