
Nisso reside o outro ponto positivo do filme, a reflexão. Quantas pessoas já se perguntaram qual o sentido de estudar tanto, juntar dinheiro em nome de uma segurança na velhice? O contraste das dúvidas da adolescente com a vida de sua professora são bastante profundos, nos levando a refletir sobre as nossas próprias vidas. São poucas as cenas, mas sugestivas e instigantes. Só não entendi muito bem a função de Emma Thompson no elenco com apenas três cenas lamentáveis. A professora vivida por Olivia Williams já cumpria perfeitamente esse papel de reflexão. Uma pena o desperdício de uma atriz tão potente como Thompson. Já Alfred Molina (o pai) e Peter Sarsgaard (David) compoem muito bem os dois pontos de apoio da protagonista e ajudam no processo decisivo do filme.

A direção da dinamarquesa Lone Scherfig é segura, coerente, traduzindo bem o aspecto retrô, já que a história se passa na década de 60. Tem cenas sutis como o primeiro encontro de David e Jenny no meio da chuva, o aniversário da garota ou o momento chave, que traz uma tensão brilhante ao revelar aos poucos o fato.
Quando tudo parece se encaminhar para um ponto, vem a virada, previsível para os mais atentos em perfil de personagem, mas forte. Porém, nem isso salva o vazio que o roteiro deixa. É quase uma crônica do cotidiano, que muitos podem dizer que também é válida. Concordo, tudo é válido nessa vida. E Educação não chega a ser um filme ruim, tem pontos interessantes, envolve o espectador. Mas daí a figurar como melhor filme e melhor roteiro, acho um pouco de exagero.