
Todo o filme é repleto de belas cenas e momentos clássicos, mas quem lembra da primeira vez em que viu o filme, vai concordar que não há nada mais inesquecível do que ver Elliott e ET voando em uma bicicleta tendo a lua como pano de fundo. Quem nunca sonhou em voar em uma bicicleta daquele jeito? Até o parque temático na Disney tem uma simulação disso. Essa é a típica cena que não tem muito o que explicar, é altamente sensorial.
ET e Elliott estão perdidos, tentando voltar para casa. Ele na cestinha da frente, escondido por um lençol. Quando sente que o menino não vai conseguir levá-los, assume o controle da bicicleta. Interessante perceber a forma como a câmera de Spielberg nos mostra que o ser é quem está no comando do veículo. Com planos fechados da bicicleta sendo levada, os pés de Elliott fora do pedal, o olhar do E.T. completamente concentrado. O grito desesperado do menino dizendo que aquele caminho não é possível, quando estão se aproximando do barranco, dá um frio na espinha. Afinal, achamos que o ET não sabe o que faz.

O close no rosto de Elliott maravilhado é o reflexo do sentimento da platéia que vibra com ele. E a má aterrissagem no final não é apenas um momento tragicômico do diretor. Pensando no conjunto da obra era preciso criar uma expectativa para a futura cena onde ET e meninos voam, fugindo da polícia. Primeiro a gente se surpreende novamente ao ver que não apenas Elliott, mas todo o grupo voa com o ET. Depois, a gente lembra do problema de pouso anterior e fica com medo de que, ao aterrissarem novamente de forma ruim, eles acabem sendo pegos. É perfeito. Quando quer, Spielberg sabe mesmo mostrar toda sua genialidade.