
Paul Conroy é um motorista americano no Iraque que trabalhava na parte de suprimento das tropas. Um dia ele acorda em um caixão velho de madeira com um celular e um isqueiro. Sem ter a menor noção de onde está enterrado, ele precisa convencer as autoridades de seu país a pagar um resgate e ser localizado ou morrerá com falta iminente de ar. A premissa é ótima e os recursos que ele utiliza durante os noventa minutos de projeção também. Até a questão de um celular ter sinal embaixo da terra é justificado já que uma das pessoas que conversa com Paul diz que ele deve estar próximo da superfície para ter sinal. Em alguns momentos, esse sinal também cai e Paul tem que ficar se mexendo dentro do caixão em busca de uma posição que o aparelho pegue.
O que não se justifica é o gasto de oxigênio através da utilização do isqueiro em boa parte do filme, principalmente em um determinado momento em que o fogo aumenta consideravelmente. Queima significa utilização de oxigênio e liberação de gás carbônico, ficaria meio impossível respirar daquele jeito. Mas, nem tudo é perfeito, então, vamos esquecer esse detalhe e nos concentrar na construção da situação.

A tela começa totalmente escura, apenas com a respiração de Paul. Primeiro apenas o isqueiro ilumina o local, depois temos o celular e por último lâmpadas fluorescentes e uma lanterna que Paul encontra no canto do caixão. É tudo muito bem construído e o jogo de imagens interessante. A gente se sente dentro do caixão junto com o protagonista. Não há como não se identificar com ele e se irritar com cada receptor do outro lado da linha. O caminho que Paul vai seguindo na lista de ligações é totalmente coerente, assim como as respostas. Os plots são bem organizados, a curva crescente vai se encaminhando bem e a virada final é de cair o queixo. Era algo assim que esperava em Demônio, mas John Erick Dowdle e equipe acabaram se afastando do elevador e criaram um filme mediano.

Ryan Reynolds pode não ser um dos melhores atores da atualidade, mas não faz feio ao defender um personagem em uma situação extrema. Pela pouca experiência, Rodrigo Cortés também surpreende. Os demais atores que apenas aparecem com suas vozes ajudam a criar o clima de tensão. Posso dizer que Enterrado Vivo é um dos filmes mais corajosos que já vi. Ousadia na medida certa para construir um bom suspense com doses de sadismo. Merece ser visto no cinema, ou, se esperar para ver em DVD, não deixe de criar um clima, apagando as luzes e fazendo absoluto silêncio.