
Vincent Gallo é Tetro, um homem que rompeu com a família e seu passado, vivendo em Buenos Aires com sua mulher Miranda, vivida por María Isabel Verdú Rollá. Tudo é ameaçado pela visita de seu irmão caçula, Bennie, interpretado por Alden Caleb Ehrenreich. O garoto chega à sua porta em uma noite, vestido de marinheiro e pretende ficar até que o motor de seu navio seja consertado. Na verdade, Bennie é apenas garçom no cruzeiro e sua vestimenta dá um ar ainda mais infantil a seu personagem, já que é apenas uma fantasia. Tetro, por sua vez, é o homem maduro, sofrido, mas que consegue tirar um bom sarro da vida, em vários momentos, como quando faz a iluminação de uma peça ou ao tirar o gesso da perna.

A história dos personagens vai sendo revelada aos poucos para nós, o que é um grande mérito do roteiro. Bennie, Miranda e Tetro vão se tornando íntimos nossos até que no final já somos parte daquela família. O drama, então, nos é entregue com maior força. Torcemos por eles, como torcemos por nós mesmos. Há apenas um exagero em uma cena final, onde o tom do melodrama excede um pouco, virando quase banal. Ainda assim, é uma história forte. Marcante, diria até. E os atores ajudam a compô-la de forma esplêndida. Todos estão muito bem, dando a carga emocional necessária para dar vida àquele drama familiar.

Tetro não é um filme fácil. Sua narrativa contemplativa, com uma forte carga emocional e interpretações viscerais pode incomodar certo tipo de público que prefere o entretenimento leve em uma narrativa correta. Coppola abusa aqui da experiência cinematográfica para experimentar em favor da arte que mostra. O resultado é mesmo impactante. Seria uma beleza se todo cinema independente surgisse com tamanha competência em nossas telas.
Tetro (Tetro, 2009 / Espanha, Itália, EUA, Argentina)
Direção: Francis Ford Coppola
Roteiro: Francis Ford Coppola
Com: Vincent Gallo, Alden Ehrenreich, Maribel Verdú
Duração: 127 min.