
O título e o cartaz podem dar uma idéia errada do novo
filme de
Cameron Crowe, que volta às telas após seis anos de espera. E a culpa agora nem é dos tradutores brasileiros, já que o nome original é mesmo
We Bought a Zoo. E vale ressaltar, que é mesmo a expressão que melhor resume a história do filme. Mas,
Compramos um Zoológico está longe de ser uma comédia envolvendo famílias e bichos. É um
drama bem elaborado a partir de uma história real, um best-seller homônimo autobiográfico do jornalista britânico Benjamin Mee.
Matt Damon é Benjamin Mee, um homem devastado pela perda de sua esposa, que junto a seus dois filhos tenta reconstruir sua vida. Mas, enquanto ele sofre calado, seu filho mais velho, Dylan, se torna o rebelde da vez, sendo suspenso e expulso do colégio e criando problemas nas mínimas coisas. O membro da
família que parece mais maduro e centrado é a pequena Rosie, não que ela não sinta saudades da mãe. Diversas cenas demonstram isso. Mas ela parece determinada a seguir em frente, tendo sempre atitudes surpreendentes. E é a partir do sonho dessa pequena criança, que a vida da
família Mee irá mudar radicalmente. Sofrendo para dormir com a "felicidade barulhenta" dos vizinhos festeiros, ela leva o pai a procurar outro lar para eles, e é aí que ambos se encantam pelo mais peculiar de todos: um
zoológico falido.
Cameron Crowe nos faz embarcar nessa aventura com altos e baixos no roteiro e na direção. É baseado na realidade, então, não podemos reclamar do clichê, nem do resultado certinho ao extremo. Mas, o percurso traz algumas marcas incômodas como o personagem de Angus Macfadyen em reações vexatórias devido a rixa com John Michael Higgins. Ou a cena apelativa para tirar um
tigre do topo de uma pedra, ou ainda a situação clichê absurda de um maçaneta quebrada na jaula do
leão. Isso sem falar na forçada trama amorosa entre os personagens de
Matt Damon e
Scarlett Johansson.
Mas, nos traz também momentos sublimes como a discussão entre
pai e filho, que escala na emoção desde a conversa ouvida na varanda, passando pelo embate sincero, até o fechamento engraçado do "o que tem o coelhinho da Páscoa". Sem dúvidas, o melhor momento do
filme. Mas,
Compramos um Zoológico é repleto de boas situações. São pequenos momentos, pequenas construções, pequenas soluções que se tornam grandes em seu conjunto. Seja no letreiro na porta do bar, no
tigre a ser sacrificado, ou na lembrança de momentos felizes. Mesmo a cena do dia sete do sete consegue emocionar, ainda que carregada em clichês.

As interpretações também são destaques. A começar por
Matt Damon que demonstra maturidade ao construir a dor de seu personagem e sua transformação gradual a partir do sonho da filha. A pequena
Maggie Elizabeth Jones, por sinal, rouba o filme com suas expressões naturais, sua interpretação consistente e, claro, pela personalidade de sua personagem, sempre o ponto de equilíbrio da história, até mesmo na hora da inspeção do local. Já
Scarlett Johansson esbanja beleza, mas sua personagem não lhe dá possibilidade de muito mais, sendo quase esquecida. Destaque ainda para
Thomas Haden Church como o descrente irmão de Benjamin.
O melhor de
Compramos um Zoológico é acompanhar essa história absurda. Tão absurda que acaba fazendo sentido. É a lógica interna da sobrevivência e busca por
superação. O embarque em um sonho distante. Uma aventura, como definiu Benjamin Mee, com uma simples questão: "por que não?"
Deixe seu coração aberto para embarcar nela. E bom passeio.
Compramos um Zoológico (We Bought a Zoo: 2011 / EUA)
Direção: Cameron Crowe
Roteiro: Aline Brosh McKenna e Cameron Crowe
Com: Matt Damon, Scarlett Johansson, Elle Fanning, Patrick Fugit, Stephanie Szostak, Thomas Haden Church, Maggie Elizabeth Jones.
Duração: 124 min.