
Titanic é mesmo um marco no cinema mundial. Vencedor de onze Oscars no ano de 1998, das treze estatuetas a que concorria, o filme arrastou multidões para conhecer a história de amor de Jack, um jovem pobre que viaja por "sorte" no naufrágio mais famoso do mundo, e de Rose, a pobre menina rica que vive de aparências e "precisa" se casar com um grande herdeiro para salvar as finanças da família. Um melodrama clássico do amor proibido, que se mistura à história do próprio navio que sai do porto de Londres, sem nunca conseguir chegar ao seu destino. Quem não pode conferir isso na época, tem uma nova oportunidade de se encantar com imagens arrebatadoras, uma trilha sonora emocionante e efeitos especiais incríveis com o navio afundando. Tão incríveis que impressionam ainda hoje, quinze anos depois de realizados, em um período onde a tecnologia avançou a olhos vistos.

Os críticos mais ferrenhos, condenam Cameron por ter reduzido essa tragédia a uma história de amor. Mas, como dizia Antônio Carlos e Jocafi me perdoe se isso "vai de encontro aos intelectos que não usam o coração como expressão". Uma história de amor é um argumento válido para um filme de ficção que tem como pano de fundo a história real. Centrar sua trama em Jack e Rose é uma forma de humanizar o naufrágio e nos fazer sentir ali, junto com eles, em desespero pela morte iminente. Faz parte da construção da identificação no cinema. Escolhemos um protagonista para criar empatia e é com ele que vemos o mundo. O casal ali representa o todo. E tudo fica ainda mais maximizado pela simbologia do resgate de Rose, a garota que não tinha vivido ainda e através da dor tem a possibilidade de se libertar.

O próprio amor dos dois é idealizado, apesar de simples e puro. Como o encontro de duas crianças, duas almas sem preocupações maiores com responsabilidades, dívidas, planos para o futuro. Jack e Rose simplesmente vivem o momento. E se divertem muito transgredindo regras, aprontando "traquinagens", fugindo do noivo rico ou mesmo tendo sua primeira relação amorosa. É tudo muito leve, com muitas risadas e brincadeiras, apesar de esconder por trás disso consequências imensas, mudanças de paradigmas e radicalização de valores. E tanto Leonardo DiCaprio quanto Kate Winslet conseguem imprimir esse tom leve na relação dos dois, talvez por serem amigos na vida real e já terem uma química, mas é fácil acreditar neles.

Ou seja, com ou sem 3D, Titanic é um filme que possui força. Um clássico moderno com um belo roteiro, uma fotografia impressionante, uma direção detalhista e interpretações condizentes, isso sem falar na emocionante trilha sonora que gruda em nossos ouvidos. E não estou falando apenas da canção de Celine Dion, é bom deixar claro. Ver toda essa técnica a servido de uma boa história na tela do cinema é mesmo uma grande experiência. Ainda que com um 3D capenga.
Titanic (Titanic, 1997 / EUA) - versão em 3D - 2012.
Direção: James Cameron
Roteiro: James Cameron
Com: Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Billy Zane, Kathy Bates, Gloria Stuart e Frances Fisher
Duração: 194 min