
O mote é esse, uma justificativa para uma batalha no mar. Para isso, os roteiristas Erich Hoeber e Jon Hoeber encontraram um motivo para reunir toda a frota da marinha mundial em um evento especial e trouxe a eles alienígenas estranhos que desabam em nosso Oceano Pacífico e não possuem naves capazes de voar. Suas máquinas, no máximo, saltam entre as águas e comandam uma batalha, primeiro privada, em uma área protegida por um enorme campo de força, depois ampla, pelo domínio da Terra. Pelo menos isso é o que os humanos subentendem, já que os alienígenas se resumem a atirar e tentar telefonar para casa a exemplo do famoso E.T. de Spielberg.

Mas, claro que uma batalha assim não poderia ser tão impessoal. Então, temos o nosso protagonista interpretado por Taylor Kitsch, o mesmo herói que encarnou John Carter no recente filme da Disney. O tenente Alex Hopper possui duas apresentações quase desnecessárias para demonstrar sua personalidade rasa e sua motivação futura de tomar as rédeas da situação e se tornar o comandante da batalha. Um rapaz irresponsável, que nunca conseguiu um trabalho e não tinha perspectiva de futuro, após uma situação onde deveria ser preso por vandalismo acaba sendo arrastado pelo irmão para a Marinha. Lá, continua com um gênio forte e é considerado um desperdício de talento, mas tudo poderá mudar com o início da batalha. Engraçado são as escolhas para nos demonstrar tudo isso, principalmente com a partida de futebol em pleno mar.

Uma coisa que chama a atenção em Battleship – A Batalha dos Mares é a mudança de paradigma norte-americano, se Independence Day era todo centralizado nos Estados Unidos, e claro, no dia 04 de julho. Aqui temos uma aventura mundial melhor distribuída. A batalha é no Oceano Pacífico, a cidade destruída no impacto inicial é Hong Kong e, apesar de os heróis continuarem a ser norte-americanos, há uma cúpula mundial que busca decidir os caminhos da humanidade. Pode parecer besteira, mas é um indício que de a filosofia de dominação difundida em todos os filmes hollywoodianos começa a ter que ser repaginada com um ar de mundial, afinal, os Estados Unidos não são mais o centro do mundo.
Battleship – A Batalha dos Mares é aquilo que se esperava dele, não podemos criticar o que não nos engana. Uma grande desculpa para criar mais batalhas mirabolantes entre terráqueos e alienígenas, demonstrando a força de nosso povo guerreiro que não deixará de defender o próprio planeta. Só que agora é a vez de ver como homens da água demonstram seu valor.
Battleship – A Batalha dos Mares (Battleship, 2011 / EUA)
Direção: Peter Berg
Roteiro: Erich Hoeber e Jon Hoeber
Com: Taylor Kitsch, Liam Neeson, Alexander Skarsgard, Rihanna.
Duração: 113 min.