
Uma nave parte da Terra com dezessete tripulantes e uma missão secreta. Após uma viagem de dois anos, chegam a um planeta desconhecido onde possivelmente é a localização de nossos criadores. Pelo menos é essa a crença de Elizabeth e Charlie, interpretados por Noomi Rapace e Logan Marshall-Green. Na nave, além dos peões necessários, cada um em sua especialidade (piloto, geólogo, etc), temos uma representante da companhia que financia o projeto, vivida por Charlize Theron e um robô, interpretado por Michael Fassbender. Porém, na exploração do planeta e do que seriam esses engenheiros, há uma descoberta perigosa para a raça humana.

O prólogo já possui um impacto intenso. O início da vida na Terra, o jogo genético evolutivo em uma sequência bela e assustadora. A fotografia trabalha a escolha do local, as cataratas, a força da água, a forma como a câmera se aproxima do ser e o mergulho. Como se nós mesmos estivéssemos mergulhando junto com ele para imergir no filme que começava. As explicações iniciais das escavações também são rápidas e funcionais, para começar de fato, a jornada na nave Prometheus.

Mas, esta é apenas uma camada estratégica do roteiro que foca muito mais na criação de efeitos de suspense que qualquer outra coisa. A própria explicação que Elizabeth Shaw busca perde força diante do medo. "Pouco importa", diria o robô David, porque, como ela mesmo aprendeu, o que importa é o que você escolhe acreditar. Então, Ridley Scott foca sua câmera em construir a tensão daquela expedição, os perigos que enfrenta, a vulnerabilidade de seus componentes. E mais do que a origem da humanidade, ficamos curiosos com a origem de outra raça conhecida, pelo menos nos cinemas, perdendo a força do promissor argumento.
As cenas dentro da caverna são construídas com a tensão necessária. As descobertas que vão sendo feitas aos poucos, a revelação do "ninho" das criaturas, o recurso para perceber o que aconteceu no passado e a forma como vão sendo encurralados. Tudo é bem planejado. Há cena de agonias profundas, como uma protagonizada por Noomi Rapace em determinada máquina e outras intensas como uma certa escolha perto do clímax.
Com referências e ligações bem pensadas e arquitetadas, Prometheus se torna mais do que um prequel de uma famosa série. Ele expande o universo daquela história, nos dando outras perspectivas e tramas a serem exploradas. Abre espaço até mesmo para continuações. Não explica o universo, não nos traz uma inovação cinematográfica, nem mesmo se torna uma referência com um roteiro bem elaborado, mas nos oferece uma trama consistente e bem produzida que satisfaz, apesar de dar a sensação de que poderia ser muito melhor.
Prometheus (Prometheus, 2012)
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Jon Spaihts e Damon Lindelof
Com: Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron, Logan Marshall-Green e Guy Pearce
Duração: 124 min.