
O maior destaque do Festival foi mesmo o aclamado Intocáveis, mas teve também outras pérolas como Políssia. Outros filmes decepcionaram como My Way, o mito além da música sobre a carreira de Claude François e Paris-Manhatan, sobre uma moça apaixonada pelo diretor Woody Allen. Mas, em um balanço, foi mesmo um bom Festival. Vejamos mais detalhadamente alguns dos filmes.
E Agora, Aonde Vamos?

A rixa entre cristãos e muçulmanos não parece atingir aquela pequena vila. Porém, a calmaria aparente tem o seu preço, o jogo de cintura das suas mulheres que criam coisas incríveis. E Nadine Labaki demonstra as desavenças de uma maneira muito fluida e cheia de ironia. A cena do discurso do prefeito antes de ligar a televisão é incrível. E é assistindo a televisão também que as mulheres começam a agir, criando confusões imensas na plateia para que os homens não prestem atenção na notícia da guerra.

E Agora, Aonde Vamos? nunca nos situa em um país, o que é interessante. Aquela aldeia poderia estar em qualquer lugar, não é isso que importa, mas a questão religiosa e o desespero de suas moradoras. Nadine Labaki acerta ao colocar humor e números musicais nessa história densa. Ainda que o filme traga momentos de dor e reflexão aberta, tudo é construído de uma maneira sutil, ingênua até, mas gostosa de acompanhar.
Não há como não se solidarizar com a luta daquelas mulheres, mas também não dá para permanecer daquele jeito. Ainda que a última peripécia tenha sido a mais inteligente de todas, após a tragédia, o título do filme pula em nossa frente. Afinal, E Agora, Aonde Vamos? Nunca um título de filme coube tão bem na boca de seus personagens.
E Agora, Aonde Vamos? (Et Maintenant, on va où?, 2011 / França)
Direção: Nadine Labaki
Roteiro: Nadine Labaki e Thomas Bidegain
Com: Claude Baz Moussawbaa, Leyla Hakim e Nadine Labaki
Duração: 140 min.
Paris-Manhattan

Essa inusitada situação traz momentos hilários, com as reflexões de Allen (que empresta sua voz à fantasia) e as reações da moça que cresce aos nossos olhos até chegar aos dias atuais. Só de olhar para a expressão enigmática do diretor e ouvi-lo já nos rende boas risadas. Mas, o problema é que Paris-Manhattan não se sustenta nisso. Pelo contrário, Sophie Lellouche explora menos as situações que esse argumento inusitado poderia render, como os filmes "indicados" pela protagonista que é farmacêutica, para investir em sua família louca e boba ao mesmo tempo.

Talvez o personagem mais interessante seja Victor, vivido pelo ator Patrick Bruel. Como um amigo conselheiro de Alice que vai se aproximando aos poucos, ele é sensato, inteligente e sortudo, por que não dizer? Ele é o homem real, o que pode tirar Alice daquele mundo que não é nada maravilhoso. E a relação dos dois convence mais do que qualquer outra situação no filme. Pena que ela também fica em segundo plano naquele emaranhado de atrapalhadas.
Ainda assim, é possível rir com um humor sutil que nos traz piadas internas de filmes de Woody Allen. Fora as escolhas de enquadramento que nos levam a vê-lo "contracenar" com Alice em "diálogos" memoráveis. Paris-Manhattan só precisava disso, Victor, Alice e Woody Allen, mas ao trazer a família, Sophie Lellouche desandou o seu primeiro passo.
Paris-Manhattan (Paris-Manhattan, 2012 / França)
Direção: Sophie Lellouche
Roteiro: Sophie Lellouche
Com: Alice Taglioni, Patrick Bruel, Marine Delterme e Woody Allen.
Duração: 77 min.