
Nessa parte, começamos a provocar a nossa plateia, demonstrando a eles como deve ser uma análise. Perguntamos sobre seus filmes preferidos e o porquê disso. Sobre o que acharam de Zarafa e sobre o que o filme falava. Se eles recomendariam o filme aos amigos. E tiramos também algumas dúvidas sobre o enredo. Foi uma experiência bastante rica perceber a atenção e visão dos pequenos. Fiquei surpresa com a variedade dos filmes citados, quase nenhum infantil sendo uma platéia de crianças de uma média de 10 anos, e com alguns comentários. Apesar da maioria responder que gostou porque era legal, ou coisa do gênero, alguns conseguiram desenvolver um raciocínio interessante sobre suas preferências.

Apesar da euforia que dominou a sala quando começamos a circular perguntando sobre os filmes preferidos, no geral, a plateia se comportou de uma forma bem educada, participando e prestando a atenção. É sempre bom poder falar com crianças e demonstrar um pouco para elas que cinema pode ser mais do que simples diversão passageira. Fico feliz que o FICI continue trazendo experiências assim para todos nós.
Zarafa

O pequeno Maki é um dos muitos africanos presos por um mercador de escravos. Um dia, ele consegue fugir e acaba conhecendo um grupo de girafas, passando a viver com elas. Quando o mercador o encontra, acaba matando um dos animais, mas Maki consegue fugir com uma filhote que ele chama de Zarafa, com a ajuda de um beduíno chamado Hassan. Apesar de o proteger, Hassan acaba se envolvendo em uma missão que desagrada Maki, ele tem que levar a girafa Zarafa como um presente para o rei da França em troca de apoio para libertar Alexandria dos turcos. Começa, então, uma jornada do menino para tentar resgatar sua amiga e cumprir a promessa que ele fez à mãe do animal de sempre protegê-la e levá-la de volta para casa.

Claro que vacas e menino caindo de pára-quedas em um navio de piratas é forçar nossa paciência, assim como a dança grega sem o menor contexto. Assim como a caricatura do rei francês e sua corte pode ser uma crítica exagerada. Mas, tudo parece não ter tanto peso diante da fábula da amizade entre o garoto e a girafinha. É bonito ver sua dedicação, seu empenho de cumprir uma promessa feita e tudo o que ele aprende em sua jornada. Zarafa acaba trazendo valores esquecidos em muitas obras infantis que, em uma linguagem rápida, preferem entreter apenas com cenas mirabolantes.

O mesmo acontece com a parte técnica. Ainda que o 2D aqui seja limitado, onde podemos perceber a economia de cenários em movimento em uma estrutura próxima das animações antigas, o filme tem um visual bonito. Explora bem as paisagens dos países por onde passa, principalmente nas imagens aéreas que o balão proporciona, resultando em um produto bem feito. Bastante infantil, mas, ainda assim com um tema que rende boas discussões.
Zarafa (Zarafa, 2012 / França)
Direção: Rémi Bezançon, Jean-Christophe Lie
Roteiro: Alexander Abela, Rémi Bezançon
Com: Max Renaudin Pratt, Simon Abkarian e François-Xavier Demaison
Duração: 80 min