
De todos os clássicos que a
Disney resolveu trazer de volta aos cinemas em 3D,
Procurando Nemo era o mais promissor. Não exatamente pela qualidade do
filme, já que tanto
O Rei Leão, quanto
A Bela e a Fera são grande obras, mas por ser feito em
animação 3D. Seria, então, mais fácil o público se impressionar com a projeção tridimensional e a profundidade de campo possível. De fato, é bonito ver o
filme na tela grande com esse tratamento, mas ainda não foi dessa vez que o retorno foi completamente justificado.
De qualquer forma,
Procurando Nemo é um grande
filme. E prova que não envelheceu, sendo ainda uma lição de amor e aprendizado entre
pai e filho. O peixe
Marlin sofre um grande baque quando perde sua esposa e quase todos os seus quatrocentos filhos em um ataque ao coral. Só lhe resta
Nemo, e ele acredita que precisa protegê-lo do mundo. O protege tanto que o sufoca.
Nemo, então, em uma atitude rebelde se afasta de casa e acaba sendo pego por mergulhadores. Começa, então, a jornada de um pai aflito em busca de seu filho perdido.

Só no ponto inicial do
filme já temos lições incríveis. Primeiro, a óbvia, não podemos proteger nossos filhos do mundo. Eles são do mundo e precisam aprender a sobreviver nele. Prendê-los não é a melhor forma de ensiná-los. Por mais medo que tenhamos, é preciso saber deixá-los ir. Segundo, atitudes rebeldes sempre acabam de forma ruim.
Nemo fica irritado com o pai e resolve desafiá-lo, mas aprende da pior maneira que esse não é o melhor caminho. Tanto que, quando vê a situação complicar, logo grita pelo socorro do
pai.

A jornada de
Marlin em busca de
Nemo é emocionante. Em sua determinação fiel, ele atravessa os mares e enfrenta perigos que nunca imaginou. Mas, o maior desafio é enfrentar a si mesmo e suas convicções pelo
amor ao filho. Assim, ele encontra tubarões, peixes elétricos, água-vivas, pássaros. E também aliados como tartarugas e a peixinha
Dorie, a melhor personagem de todas. Não apenas por ser engraçada e falar baleiês, mas pela ironia de um
peixe com perda de memória recente ser a principal ajuda em uma busca por um desaparecido.

Outro ponto positivo de
Procurando Nemo é o visual. Afinal, quem nunca se encantou com o fundo do mar? Os caminhos, os seres marinhos, o contraste de luz e sombra. A imensidão azul. Tudo é rico material para que
Andrew Stanton e
Lee Unkrich nos encante. Principalmente, pela fluidez da água, que dá uma dinâmica de simulação de movimentos de câmera incrível. O
filme é ágil, envolvente e visualmente belo.
E enquanto, Marlin e Dorie nadam pelos mares, enfrentando perigos e procurando o peixinho.
Nemo faz amizades e vive sua própria aventura em um
aquário em Sidney, Austrália. O paralelo das duas histórias acaba sendo acertado, tirando um pouco do suspense, é verdade, mas ganhando em histórias. É engraçado como uma criança malcriada, pode ser mais assustadora que um
tubarão, por exemplo.
Por tudo isso,
Procurando Nemo é um clássico que continua divertindo e emocionando diversos tipos de público. É sempre válido vê-lo e revê-lo em tela grande. É interessante o efeito possível em algumas cenas com a tecnologia 3D. Mas, não se enganem. Vocês não irão encontrar nada diferente do pequeno
peixinho com uma barbatana defeituosa, mas cheia de charme.
Procurando Nemo (Finding Nemo, 2003 / EUA)
Direção: Andrew Stanton, Lee Unkrich
Roteiro: Andrew Stanton, Bob Peterson e David Reynolds
Duração: 100 min