
Tudo começa como de costume, 007 está em plena ação, algo mirabolante com muita correria, ações quase impossíveis e uma missão prestes a falhar. Mas, talvez seja a primeira vez em que a introdução desconstrua o mito de uma maneira tão forte. Logo depois vem a abertura, muito bem feita com a bela música de Adele e somos convidados a um mergulho mais íntimo ao inconsciente do personagem. Essa é a grande diferença de Operação Skyfall, o desenvolvimento dos personagens.


007 - Operação Skyfall não é um filme de espionagem. E nem poderia, em um mundo que não acredita mais nisso. A própria questão é desenvolvida de uma forma bem adulta no filme. E os personagens discutem literalmente qual seria a utilidade da espionagem no mundo de hoje, como no julgamento onde M está testemunhando. O próprio 007 também é colocado em cheque, pela idade e capacidade ainda ou não de continuar no serviço. E tudo isso acaba nos levando para mais perto do James Bond. Não do nome, mas da pessoa por trás da máscara. Pelo ser humano que não é um simples executor de tarefas.
A direção também chama a atenção em alguns detalhes, como a cena em que M está ao fundo tendo todos os caixões das primeiras vítimas enfileirados. Uma dimensão exata do sentimento de fracasso da personagem. Há sequências belas também como o jogo de luzes em Xangai. Ou toda a tensão criada em Skyfall.
Apontados por muitos como o melhor da franquia, 007 - Operação Skyfall é, sem dúvidas, um filme maduro. Consegue dosar ação, diversão e aprofundamento de temas de uma maneira muito competente. Dá um passo além dentro da série, sem descaracterizá-la, adaptando-a aos tempos em que vivemos. Um belo filme.
007 - Operação Skyfall (Skyfall, 2012 / EUA)
Direção: Sam Mendes
Roteiro: Neal Purvis, Robert Wade e John Logan
Com: Daniel Craig, Javier Bardem, Ralph Fiennes, Naomie Harris, Judi Dench e Bérénice Marlohe
Duração: 143 min