
Especial porque é extremamente simples. Cinco garotos presos em um colégio no sábado por causa de uma detenção. Arredios, a princípio, e completamente diferentes um dos outros, aos poucos vão se conhecendo melhor até perceber que não são tão diferentes assim. É um filme também muito honesto, que brinca e quebra estereótipos. Todos os tipos ali representados são muito caricatos, o esportista, a princesa, a neurótica, o cérebro e o marginal. Exageros que demonstram apenas as máscaras de cada um desses tipos e que, aos poucos, vão sendo desconstruídas e vemos cinco seres humanos bastante complexos.

Caricato também é o inspetor Richard Vernon, quase um monstro que trata os meninos como presidiários sem direitos. A sua ideia é passar o dia inteiro sentado na cadeira sem se mexer, conversar ou fazer qualquer outra coisa. Mas, é claro que isso não acontece. O personagem de Judd Nelson, o Bender, é o que puxa toda a ação. Em seu estereótipo de marginal ele provoca os outros quatro, dá as ideias de subversão. Mas, é também o primeiro a começar a se desnudar, demonstrando outro lado que não deixava ser visto.

Aliás, a hora do almoço demonstra muito de cada um dos personagens e de suas relações familiares. Claire, a princesinha vivida por Molly Ringwald, come um pratinho de sushi para demonstrar refinamento. Já o esportista Andrew, interpretado por Emilio Estevez tem uma coleção de sanduíches simbolizando que se alimenta muito, enquanto que o CDF Brian (Anthony Michael Hall) tem sopa e suco de maçã, comida balanceada, o filhinho da mamãe. Enquanto isso, Bender não tem almoço. Ele é o rejeitado da família, o que sofre com maus tratos e, por isso, tão revoltado.

Mas, o momento chave de Clube dos Cinco é mesmo quando eles sentam e começam a fazer suas confissões mais íntimas. Quando o grupo se une de uma maneira que parece mesmo que não sairão dali da mesma forma. Passamos todo o tempo com aqueles personagens, nos sentimos parte do clube, os compreendemos, torcemos por eles. Mesmo que até a quebra do clichê de possíveis casais acabe sendo o esperado.
Clube dos Cinco é um filme a cara dos anos 80, constrói os valores daquela época, utiliza seus estereótipos, mas mesmo assim é tão honesto e envolvente. Um filme que não envelheceu e continua tendo o seu charme mesmo quase trinta anos depois.
Clube dos Cinco (The Breakfast Club, 1984 / EUA)
Direção: John Hughes
Roteiro: John Hughes
Com: Emilio Estevez, Paul Gleason, Anthony Michael Hall, John Kapelos, Judd Nelson, Molly Ringwald e Ally Sheedy
Duração: 97 min.