
Demorou muito, mas finalmente
The Oranges estreou no Brasil. Ao ver o
filme, no entanto, a gente compreende a relutância das distribuidoras. É um
filme frágil, com poucos atributos. O nome do
filme em português também não ajuda muito, deixando tudo ainda mais clichê. Ainda assim, seus momentos.
O problema do título em português é que ele se concentra em um dos milhares clichês da trama. O cara mais velho que se apaixona pela
filha do melhor amigo, detonando uma crise familiar. Tem o atrativo do tal cara ser
Hugh Laurie, e ver o Dr. House "pegando"
Leighton Meester pode ser um atrativo para alguns. Mas, o
filme não é exatamente isso. Na verdade, temos um drama familiar cotidiano narrado pela visão da jovem Vanessa, vivida por
Alia Shawkat, que nos conta a rotina de duas famílias unidas que se destrói com a chegada de Nina. Então, o foco não é o
romance, mas as
famílias. Cada membro e o ponto de vista deles diante de uma situação extrema. Inclusive do filho Toby, vivido por
Adam Brody que praticamente não participa da trama.

Porém, parar falar de algo tão íntimo e cotidiano, uma linguagem realista talvez casasse melhor. Não é o que faz os roteiristas e o diretor
Julian Farino.
A Filha do Meu Melhor Amigo é uma espécie de
comédia de erros, com diversos estereótipos e exageros que tornam a trama tola e pouco crível. A forma como se constrói a vida de Nina antes de voltar para casa é a caricatura de jovens rebeldes com sexo, drogas e rock n´roll (isso já tá ficando tão antigo). Tudo bem que é a visão de Vanessa da ex-amiga. Mesmo assim, força muito a situação. Da mesma forma como a reação dos pais de Nina e a forma caricatural como é construído o personagem de
Oliver Platt, pai da garota, que nem consegue acertar um soco. Diante de tanto pastelão, é complicado comprar o drama da personagem Paige, de
Catherine Keener, a mulher traída que se sente humilhada com toda aquela situação.

Mas, pior do que os
estereótipos e caricaturas é a previsibilidade do roteiro. Cada cena parece cantada. É possível imaginar o que vem depois de uma maneira muito fácil e tola. Nada parece surpresa. Nem o retorno de um certo personagem que parecia ter ficado esquecido no início. Nem mesmo o coral de Natal, cantando na rua, ou o quebra-quebra de um certo carro. Ou mesmo a sensação de muito barulho por nada. As coisas vão acontecendo em nossa frente e vamos apenas confirmando o que estávamos supondo, aqui e ali. Poucas coisas chamam realmente a atenção, como a trajetória de Paige após um certo encontro na rua, ou a decisão final de Nina. E outras chamam a atenção de maneira negativa como Nina sair de determinado lugar só para ser flagrada. De qualquer maneira, não empolga.

Mesmo diante de um roteiro pouco inspirado, o elenco não está ruim, apenas genérico. Cada personagem funciona em seus limites e há química entre eles. Ainda que pareçam um casal exótico ao extremo,
Oliver Platt e
Allison Janney funcionam juntos. Os momentos mais
divertidos são as discussões do casal e sua empolgação após os exercícios do marido.
Hugh Laurie e
Leighton Meester também conseguem nos convencer, mesmo que o roteiro não nos deixe aproximar do
drama deles que querer viver os sentimentos sem culpa. Não dá, por exemplo, para dizer que torcemos para o
casal. Aliás, parece que não conseguimos torcer por ninguém, nem mesmo por Vanessa que é a nossa guia naquela história insólita.
Ainda assim, não podemos dizer que é um
filme mal feito. A direção é correta, sem grandes inspirações, a trilha sonora acompanha o clima meio
over, marcado. As passagens de tempo funciona. Acaba sendo um passatempo sem maiores consequências. Daqueles
filmes que a gente vê, se diverte em alguns momentos, não se irrita com coisas absurdas ou visivelmente mal feitas. Mas, depois esquece e parte para a outra. Dificilmente alguém vai lembrar daqui a alguns meses.
A Filha do Meu Melhor Amigo (The Oranges, 2011 / EUA)
Direção: Julian Farino
Roteiro: Ian Helfer e Jay Reiss
Com: Hugh Laurie, Allison Janney, Catherine Keener, Alia Shawkat, Oliver Platt, Leighton Meester e Sam Rosen
Duração: 90 min.