
No filme, estamos em um tempo não-definido após a trilogia original dos X-Men. Wolverine está depressivo, vivendo escondido em uma floresta e tendo pesadelos com sua amada Jean Grey, quando uma japonesa o convida a ir ao Japão. Seu avô adotivo está morrendo e aparentemente quer agradecer e se despedir de Logan, pois durante o lançamento da bomba atômica na cidade de Nagasaki, o mutante salvou sua vida. Porém, a trama envolve alguns mistérios que vão sendo revelados aos poucos. E alguns deles não fazem muito sentido, nos deixando alguns incômodos.

Hugh Jackman mais uma vez na pele do mutante imortal, está completamente à vontade. O filme permite que ele seja mais do que um animal que se regenera, lhe dando possibilidades de desenvolver a carga emocional necessária para a trajetória. Porque, de fato, Wolverine é um animal, mas um animal ferido. Não por acaso, em determinada cena, quando está vulnerável e aparentemente não se regenerando mais, ele é salvo por um veterinário especialista em animais de grande porte. É forte como um touro, tem garras e, simplesmente, segue. Mas, ele tem sentimentos profundos que o atormentam, como a própria imortalidade.

Mas, se tem duas pretendentes amorosas, uma real outra fantasma, a verdadeira companheira de Wolverine é a japonesinha Yukio, vivida por Rila Fukushima. A atriz consegue construir uma boa parceria, impondo sua personalidade e sua capacidade para lutar. Tanto que enfrenta todas as batalhas e perseguições, sem maiores problemas. A garota chama a atenção, ao contrário de Svetlana Khodchenkova, que faz a Víbora, em mais uma das levas de vilãs genéricas. Ela só não é mais lamentável que um detalhe revelado no final.

No final, Wolverine é um filme bem desenvolvido. Baseado na história em quadrinhos “Eu, Wolverine”, criada por Chris Claremont e Frank Miller, o roteiro de Mark Bomback e Scott Frank tem seus problemas, ainda assim, consegue se transformar em uma boa obra de ação. Principalmente, pela eficiência de James Mangold, diretor que já nos apresentou obras tão diversas como Garota Interrompida e Os Indomáveis. No mundo das HQs, ele consegue imprimir uma marca e deixar o filme envolvente, fluído. Uma forma de redimir esse mutante tão charmoso e assustador ao mesmo tempo.
Wolverine: Imortal (The Wolverine, 2013 / EUA)
Direção: James Mangold
Roteiro: Mark Bomback, Scott Frank
Com: Hugh Jackman, Rila Fukushima, Will Yun Lee, Hiroyuki Sanada, Svetlana Khodchenkova, Famke Janssen e Tao Okamoto
Duração: 126 min.