
É noite de Natal, e o céu começa a receber diversas orações para uma pessoa em específico. George Bailey, vivido por James Stewart, que encontra-se em um desespero imenso a ponto de pensar no suicídio. Mas, o que faz com que todos rezem por ele, é uma frase que um deles diz a Deus: ele sempre pensou mais nos outros que em si mesmo.

A forma como os roteiristas conduzem a trama é bem feita. Começamos pelo problema, voltamos no tempo, saltando para pontos importantes até finalmente retornarmos ao ponto crucial compreendendo melhor a situação. E o fato de tudo isso estar sendo feito por Clarence, dentro da diegese da trama, torna tudo mais interessante e envolvente. É possível, inclusive dar pausas na trama, para maiores explicações e isso não ficar didático ou tolo.

Uma das cenas mais bonitas é quando Mary e George jantam pela primeira vez na nova casa, ainda em reforma, com goteiras, frango assando na lareira e a música tocando ao fundo. É uma síntese daquele amor simples e verdadeiro que faz tudo valer a pena.

Acho que uma reflexão bem interessante é aquela que o filme nos propõe. Ver como seria o mundo se nós não existíssemos. O que fizemos que mudou a vida das pessoas, por menor que pareça o gesto? Mesmo aquele que se sente o mais insignificante dos seres fez a diferença para alguém em algum momento. É o desencadear das coisas que é o mais importante.
Somos todos importantes para alguém. E o que vale mesmo na vida é vivenciar esses momentos. Amar e buscar a felicidade nos pequenos gestos. Agradecendo por cada conquista. Nada melhor do que isso em um dia de Natal, porque foi essa a maior mensagem que Jesus nos ensinou: amarmos uns aos outros, como ele nos amou.
A Felicidade não Se Compra (It's a Wonderful Life, 1946/ EUA)
Direção: Frank Capra
Roteiro: Frances Goodrich, Albert Hackett
Com: James Stewart, Donna Reed, Lionel Barrymore
Duração: 130 min.