
Ricardo Darín é Marcos, um malandro experiente que vive de pequenos golpes. Quando encontra Juan vivido por Gastón Pauls em um mercado aplicando um golpe errado, resolver ser seu tutor. Assim, a dupla irá aplicar golpes pelas ruas até receber uma proposta irrecusável, vender uma falsa coleção de selos chamada Nove Rainhas para um milionário espanhol que está sendo extraditado do país.

Nove Rainhas fala de malandragem, de grandes e pequenos golpes, mas fala também do acaso. Será que ele existe de fato ou tudo é uma programação antiga em que somos joguetes do destino? Tudo parece tão organizado que não parece simples coincidência, a começar pelo primeiro encontro dos dois. Juan estava querendo ganhar mais uns trocados da caixa do mercado ou querendo chamar a atenção de Marcos? A própria oportunidade das nove rainhas parece fácil demais para ser verdade.

A fotografia do filme é bastante lavada e crua, nos dando a sensação maior de realismo. Mesmo quando a montagem é ágil para dar a sensação do golpe, tudo é muito próximo da realidade. Ainda mais da realidade da América Latina, onde diversos malandros de pequeno porte acham que podem viver de trocados conquistados. Enquanto isso, os verdadeiros tubarões estão nos rondando.
Nove Rainhas só peca mesmo em seu final. Querendo surpreender mais um vez o público, Fabián Bielinsky nos apresenta uma reviravolta que nos faz rever o filme inteiro, percebendo como fomos enganados. Só que ao contrário de um Sexto Sentido da vida, a gente não fica feliz com isso, começa a questionar a coerência de tudo que vinha sendo trabalhado. Fica uma sensação de "não precisava", mas ainda assim, é um bom filme.
Nove Rainhas (Nueve reinas, 2000 / Argentina)
Direção: Fabián Bielinsky
Roteiro: Fabián Bielinsky
Com: Ricardo Darín, Gastón Pauls, Leticia Brédice
Duração: 114 min.