
Entendo que Mr. Banks, o patriarca da família que Mary Poppins visita, é desconhecido. Entendo também que Walt Disney e Mary Poppins são nomes mais chamativos e que o filme já tinha tido problemas de bilheteria, além de ficar de fora do Oscar. Mas, não deixa de ser descabido, além de fazer parecer que o personagem interpretado por Tom Hanks é o protagonista e que vamos ver, quem sabe, todos os bastidores, com direito a filmagens e tudo mais.

Emma Thompson encarna de maneira admirável a ranzinza autora da babá mágica que encantou crianças e adultos por décadas. Baseada em sua própria infância, ela teme ceder os direitos da obra para a Disney que a tornaria tola dançando e cantando em desenhos infantis, segundo sua própria explicação. Foram anos de negociações e exigências e o filme retrata o período final do processo.

Sem nos dar a chance de tirar conclusões, o roteiro vai didaticamente nos mostrando cada momento da vida da pequena Ginty, ao ponto de criar paralelos de Travers tendo um ataque porque colocaram um bigode no Mr. Banks com uma lembrança de Ginty vendo seu pai se barbeando e falando da importância de uma barba bem feita para as bochechas dos filhos. Um dos poucos paralelos que funciona é quando Travers Goff faz um discurso representando o banco, bêbado, com a música do Mr. Banks sendo apresentada a P.L. Travers.

De modo geral, Walt nos Bastidores de Mary Poppins, ou simplesmente, Saving Mr. Banks é um filme curioso. Não chega a ser mal feito, mas exagera na dose de emoção e didatismo. Isso sem falar no plus da parte final com direito a muita nostalgia e algumas escolhas questionáveis. De qualquer maneira, é interessante como registro. E de uma forma ou de outra, nos desperta a vontade de rever Mary Poppins.
Walt nos bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks, 2014 / EUA)
Direção: John Lee Hancock
Roteiro: Kelly Marcel, Sue Smith
Com: Emma Thompson, Tom Hanks, Annie Rose Buckley, Colin Farrell, Paul Giamatti
Duração: 125 min.