
Três crianças de oito anos foram brutalmente assassinadas na cidade de West Memphis. Uma investigação pouco cuidadosa chega rapidamente a três suspeitos que vão a julgamento. Porém, não há evidências de que Damien Echols, Jason Baldwin e Jessie Misskelley Jr. cometeram o crime, senão por uma estranha confissão que logo é desmentida. Mas, parece que ninguém está atrás da verdade e sim de um culpado. Exceto pelo detetive Ron Lax que tentará impedir que os jovens sejam condenados à pena de morte.

Como é baseado na realidade, com direito a legendas a todo momento para localizar o espectador, nem podemos esperar embates emocionantes nesse julgamento como diversos filmes do gênero já nos apresentaram. Na verdade, só serve para demonstrar o despreparo da defesa, a burocracia da acusação e o descaso do juiz que, mesmo presenciando alguns absurdos, segue o fluxo sem se preocupar em desvendar de fato a verdade. São tantos erros de investigação que se não fosse real, ficaria difícil de aceitar.


Parece que tal qual os policiais que não queriam investigar à fundo o que aconteceu, os realizadores do filme queriam apenas depositar a história. Sem trabalhá-la ou manipulá-la, o que é louvável, mas era preciso um pouco de ficcionalização, ao menos, já que estavam realizando um filme de ficção. Mesmo que baseado em realidade, um filme precisa saber contar uma história, envolver seu público de uma maneira fluida e prender sua atenção. Um tempero não faz mal a ninguém.
Sem Evidências tem seu impacto, porque a história em que se baseia é impactante. Não tem como ver o filme e não ficar incomodado não apenas pelas crianças, mas pela maneira leviana como o caso foi tratado. É tão óbvio o erro que fica quase impossível acreditar que as pessoas não viram isso. Seja juiz, júri ou advogados. Mas, enquanto filme, há pouca coisa digna de notas.
Sem Evidências (Devil's Knot, 2014 / EUA)
Direção: Atom Egoyan
Roteiro: Paul Harris Boardman, Scott Derrickson
Com: Colin Firth, Reese Witherspoon, Alessandro Nivola
Duração: 114 min.