
A Oeste do Fim do Mundo, mais precisamente em uma estrada entre a Argentina e o Chile, em um posto de gasolina com ares de abandonado vive Leon, vivido por César Troncoso. Um homem solitário, com um passado sofrido e alguns segredos, entre os quais um filho que lhe liga de tempos em tempos e ele não atende. Seu único amigo é o motoqueiro Silas, vivido por Nelson Diniz que chega com a mesma velocidade que vai, sem nunca criar vínculos. Até que a chegada de uma moça vai mudar suas rotinas.

O filme trata disso. De feridas abertas ou cicatrizadas que ainda doem e da forma como poucos conseguem lidar com isso. Leon faz bem a Ana, da mesma forma que Ana faz bem a Leon. Sem precisar necessariamente ser uma história de amor romântico ou outros clichês. São duas almas que se encontram e se reconhecem em seus problemas, buscando formas de sobreviver.

É interessante também a distância cultural construída pela língua de ambos. Ele falando espanhol, filho de uruguaio criado na Argentina. Ela falando português, brasileira vinda do país. Mas, ainda que em idiomas distintos, ambos parecem falar a mesma língua, ao contrário de Silas que transita entre o português e o espanhol sem de fato se comunicar com nenhum dos dois.
A obra tem seu espírito contemplativo, sem se tornar cansativa ou monótona por focar nos dramas psicológicos de seus personagens e, com isso, nos manter atentos, envolvidos. Mesmo as cenas de flashback que mostram o passado de Ana são harmônicas e ajudam no engajamento da trama.
A Oeste do Fim do Mundo é um filme bem feito, poético e diverso. Daquelas obras que o cinema brasileiro já demonstrou saber fazer, mas parecem escondidas em um circuito de pouca visibilidade. E o curioso é que este ainda tem um projeto de acessibilidade com sessões audiodescrição e legendas. Vamos torcer por mais obras assim.
A Oeste do Fim do Mundo (2014 / Brasil)
Direção: Paulo Nascimento
Roteiro: Paulo Nascimento
Com: César Troncoso, Fernanda Moro, Nélson Diniz
Duração: 102 min