
A sinopse oficial do filme nos diz que "No Brasil dos últimos 500 anos, Edilson esteve cortando cana-de-açúcar. Um dia, as máquinas chegaram e ele deixou o corte para se engajar em sua primeira missão espacial. Um pequeno passo para ele, um salto enorme para o Brasil". O roteiro é menos esquemático que isso, apesar de percebermos uma progressão clara na narrativa.
A questão da máquina substituindo o homem é fundamental, como a figura de Edilson é fundamental enquanto protagonista. É a representação do povo brasileiro e peça chave nessa metáfora do país enquanto empresa. Mas, temos também o pescador, a moça da classe média, as famílias futuristas e diversos outros personagens, elementos que compõem este retrato de país "do futuro".

Há ainda uma curiosa inserção de uma igreja lotada rezando ao som de "The Sound of Silence". É talvez, a sequência mais documental do filme, fugindo do padrão de reconstrução da realidade futurista. Por mais que já tenha ouvido a versão católica da música de Paul Simon tudo soa estranho, deslocado do contexto geral. Mas, não deixa de ser uma forte representação do nosso povo e da fé em nosso país, talvez.

Se não bastasse tudo isso, Brasil S/A ainda projeta uma espécie de corrida espacial brasileira, jogando com as questões das possibilidades de crescimento e promessas políticas de ser reconhecido como um país desenvolvido. É interessante como tudo vai sendo construído de maneira forte e orgânica. Um filme para ver, rever e refletir sobre diversos aspectos. Desde os técnicos aos ideológicos.
Filme visto no 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
Direção: Marcelo Pedroso
Roteiro: Marcelo Pedroso
Com: Edmilson Silva, Wilma Gomes, Adeilton Nascimento, Giovanna Simões, Marivalda Maria dos Santo, Maracatu Estrela Brilhante
Duração: 72 min.