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Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1
Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1
É difícil analisar a primeira parte de A Esperança, terceiro filme de Jogos Vorazes, sem a segunda parte. Ainda mais sem ter lido os livros de Suzanne Collins. Não dá ainda para saber, por exemplo, se a escolha da divisão do terceiro livro em dois capítulos foi apenas jogada de marketing e se prejudicou ou fez sentido na narrativa. Ainda assim, é um filme. E um bom filme, mesmo que seja aquém das expectativas criadas com o segundo.
Boa parte da trama se passa no Distrito 13, o que todos acreditavam ter sido dizimado na guerra, mas que em seu subsolo possui um arsenal para enfrentar a capital. Todo o filme é uma grande preparação, uma faísca que tenta ser acessa para a revolução. E, com isso, muita coisa fica no ar. As atitudes dos personagens parecem ambíguas, não sabemos exatamente até que ponto dizem a verdade ou o que sabem.
Aliás, o que é a verdade? Esse parece ser um dos pontos principais de A Esperança. A manipulação da imagem dos jogos aqui se estende para a "vida real", tornando-o até mais próximo de 1984. Tal qual o Big Brother, o presidente Snow parece onipresente, mas agora, enfrenta outra presidente que também usa das mesmas armas: a presidente Coin do Distrito 13. Tal qual Snow, ela manipula imagens para convencer pessoas de seus planos. E não sabemos exatamente quais sejam eles. Superficialmente ela nos diz que quer recompor a liberdade e a democracia.
Jogos Vorazes acaba nos trazendo mais uma vez muitos elementos da propaganda política, do jogo da manipulação de imagens que lembra um pouco o filme Mera Coincidência. Tudo é um jogo de interesses e persuasão. Revolução ou não, Capital, Distritos ou Panem livre. Nada ali parece por acaso, ou altruísta. Mesmo Katniss que nos parece a mais autêntica das personagens, tem seus próprios interesses, como a irmã ou Peeta. Isso fica claro quando ela se recusa a fazer mais um vídeo do tordo por achar que pode matar o ex-companheiro.
De qualquer maneira, Katniss Everdeen é a esperança, é o tordo e é aquela que acompanhamos em sua jornada de recomposição de forças. E por isso, a primeira parte do filme se torna interessante. Há uma desconstrução e reconstrução de uma personagem que parece movida por emoções autênticas e impulsivas. Ela não pode ser treinada, nem dirigida, ela só funciona sem script, seguindo sua própria consciência. E nesse momento, ela está abalada e confusa, não sabe como agir.
Jennifer Lawrence consegue manter uma interpretação extremamente convincente, emocionando em muitas cenas como a do Distrito 8. Julianne Moore também acrescenta à trama com uma interpretação marcante da presidente Coin. E não podemos deixar de destacar a participação pontual de Philip Seymour Hoffman, em um dos seus últimos trabalhos para o cinema, o filme é, inclusive, dedicado a ele.
Porém, mais do que atores, o filme é feito de personagens e um dos mais instigantes deles é interpretado por Donald Sutherland. O presidente Snow é uma presença constante ainda que ausente boa parte da projeção. A maioria das cenas de Katniss é enfrentando essa sombra, ou rosa branca, ampliando o medo e a curiosidade em relação a essa figura. A Capital fica quase de fora da história, mas ele continua lá, assombrando a todos.
A ausência da Capital é um dos sintomas negativos em relação ao segundo filme, quando parecia que a população começava a despertar. Vemos apenas uma cena rápida onde a filha de Snow desarruma o penteado porque o Tordo está sendo anunciado como um inimigo a ser combatido. Isso cria outra expectativa. Afinal, como está a população da Capital após os últimos acontecimentos? Estão vendo as mensagens? Tudo se resume a perguntas.
Mas, ainda que não tenha os jogos, nem o jogo político tão explícito como no segundo filme. A primeira parte de A Esperança nos traz muita coisa implícita. E nisso, não podemos deixar de destacar a sensibilidade de Francis Lawrence em conduzir o filme em um tempo mais lento, construindo na projeção a angústia e a expectativa do pré-guerra. A busca por significados, e mesmo por um símbolo. A cena no hospital do Distrito 8, por exemplo, é extremamente feliz nesse ponto. Ali é a verdadeira criação do mito, não os vídeos propaganda criados pela cúpula do Distrito 13. Assim como as cenas de ataques pontuais, ainda que os rebeldes pareçam também massa de manobra.
De qualquer maneira, é injusto tirar conclusões definitivas sobre Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1, pois ele é apenas isso, uma primeira parte de uma história. Funciona enquanto filme, mas fica incompleto, nos deixando a expectativa do que vem em seguida.
Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1 (The Hunger Games: Mockingjay - Part 1, 2014 / EUA)
Direção: Francis Lawrence
Roteiro: Peter Craig, Danny Strong
Com: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Philip Seymour Hoffman, Julianne Moore, Elizabeth Banks, Stanley Tucci
Duração: 123 min.
Boa parte da trama se passa no Distrito 13, o que todos acreditavam ter sido dizimado na guerra, mas que em seu subsolo possui um arsenal para enfrentar a capital. Todo o filme é uma grande preparação, uma faísca que tenta ser acessa para a revolução. E, com isso, muita coisa fica no ar. As atitudes dos personagens parecem ambíguas, não sabemos exatamente até que ponto dizem a verdade ou o que sabem.
Aliás, o que é a verdade? Esse parece ser um dos pontos principais de A Esperança. A manipulação da imagem dos jogos aqui se estende para a "vida real", tornando-o até mais próximo de 1984. Tal qual o Big Brother, o presidente Snow parece onipresente, mas agora, enfrenta outra presidente que também usa das mesmas armas: a presidente Coin do Distrito 13. Tal qual Snow, ela manipula imagens para convencer pessoas de seus planos. E não sabemos exatamente quais sejam eles. Superficialmente ela nos diz que quer recompor a liberdade e a democracia.
Jogos Vorazes acaba nos trazendo mais uma vez muitos elementos da propaganda política, do jogo da manipulação de imagens que lembra um pouco o filme Mera Coincidência. Tudo é um jogo de interesses e persuasão. Revolução ou não, Capital, Distritos ou Panem livre. Nada ali parece por acaso, ou altruísta. Mesmo Katniss que nos parece a mais autêntica das personagens, tem seus próprios interesses, como a irmã ou Peeta. Isso fica claro quando ela se recusa a fazer mais um vídeo do tordo por achar que pode matar o ex-companheiro.
De qualquer maneira, Katniss Everdeen é a esperança, é o tordo e é aquela que acompanhamos em sua jornada de recomposição de forças. E por isso, a primeira parte do filme se torna interessante. Há uma desconstrução e reconstrução de uma personagem que parece movida por emoções autênticas e impulsivas. Ela não pode ser treinada, nem dirigida, ela só funciona sem script, seguindo sua própria consciência. E nesse momento, ela está abalada e confusa, não sabe como agir.
Jennifer Lawrence consegue manter uma interpretação extremamente convincente, emocionando em muitas cenas como a do Distrito 8. Julianne Moore também acrescenta à trama com uma interpretação marcante da presidente Coin. E não podemos deixar de destacar a participação pontual de Philip Seymour Hoffman, em um dos seus últimos trabalhos para o cinema, o filme é, inclusive, dedicado a ele.
Porém, mais do que atores, o filme é feito de personagens e um dos mais instigantes deles é interpretado por Donald Sutherland. O presidente Snow é uma presença constante ainda que ausente boa parte da projeção. A maioria das cenas de Katniss é enfrentando essa sombra, ou rosa branca, ampliando o medo e a curiosidade em relação a essa figura. A Capital fica quase de fora da história, mas ele continua lá, assombrando a todos.
A ausência da Capital é um dos sintomas negativos em relação ao segundo filme, quando parecia que a população começava a despertar. Vemos apenas uma cena rápida onde a filha de Snow desarruma o penteado porque o Tordo está sendo anunciado como um inimigo a ser combatido. Isso cria outra expectativa. Afinal, como está a população da Capital após os últimos acontecimentos? Estão vendo as mensagens? Tudo se resume a perguntas.
Mas, ainda que não tenha os jogos, nem o jogo político tão explícito como no segundo filme. A primeira parte de A Esperança nos traz muita coisa implícita. E nisso, não podemos deixar de destacar a sensibilidade de Francis Lawrence em conduzir o filme em um tempo mais lento, construindo na projeção a angústia e a expectativa do pré-guerra. A busca por significados, e mesmo por um símbolo. A cena no hospital do Distrito 8, por exemplo, é extremamente feliz nesse ponto. Ali é a verdadeira criação do mito, não os vídeos propaganda criados pela cúpula do Distrito 13. Assim como as cenas de ataques pontuais, ainda que os rebeldes pareçam também massa de manobra.
De qualquer maneira, é injusto tirar conclusões definitivas sobre Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1, pois ele é apenas isso, uma primeira parte de uma história. Funciona enquanto filme, mas fica incompleto, nos deixando a expectativa do que vem em seguida.
Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1 (The Hunger Games: Mockingjay - Part 1, 2014 / EUA)
Direção: Francis Lawrence
Roteiro: Peter Craig, Danny Strong
Com: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Philip Seymour Hoffman, Julianne Moore, Elizabeth Banks, Stanley Tucci
Duração: 123 min.
Amanda Aouad
Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Unifacs e da Uniceusa. Atualmente, faz parte da diretoria da Abraccine como secretária geral.
Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1
2014-11-21T08:30:00-03:00
Amanda Aouad
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