
Louis Bloom, interpretado de maneira intensa por Jake Gyllenhaal, é um ladrãozinho quase inofensivo, em busca de uma oportunidade na vida. Quando ele testemunha um acidente na estrada e o trabalho de uma equipe de filmagem freelancer, uma nova perspectiva se abre e, com isso, sua verdadeira personalidade e objetivos.

A construção desse exemplo peculiar de psicopata é o que mais chama a atenção na interpretação de Jake Gyllenhaal. A forma intensa com que ele nos apresenta Louis Bloom em seu jogo quase ingênuo de subir na vida, quando fala de ser autodidata e que se pode aprender de tudo na internet. Contrastando com o olhar compulsivo ao se encontrar em uma cena de crime, a forma como ele vai invadindo os espaços, em busca do melhor ângulo sem nunca raciocinar sobre o certo e o errado. E que ainda se conclui com seu sorriso vitorioso a cada matéria que vai ao ar.


A escalada de Louis Bloom vai sendo conduzida com cuidado, sem muito didatismo, representada pela passagem de tempo dinâmica e as mudanças de equipamentos como a câmera, o rádio e o carro. A contratação do assistente Rick também demonstra muito da personalidade do protagonista e sua forma de raciocinar a realidade. Pistas que vão desembocar na resolução de uma maneira muito fluida, sem parecer exagerada.
O Abutre é daqueles filmes que causam impactado, por sua boa realização e por seu tema incômodo. Observando os telejornais sensacionalistas é possível se perguntar até que ponto não podem realmente existir pessoas como Louis Bloom, que se aproveitam tanto de tragédias para conseguir dinheiro e audiência que já perderam completamente a noção dos limites e da ética.
O Abutre (Nightcrawler, 2014 / EUA)
Direção: Dan Gilroy
Roteiro: Dan Gilroy
Com: Jake Gyllenhaal, Rene Russo, Bill Paxton
Duração: 117 min.