
Tudo começa quando Júnior volta para a casa de seu pai. Recém-separado e desempregado, ele passa os dias no sofá da casa, até que começa a encontrar objetos que foram de sua mãe. A obsessão pelo passado começa a consumir Júnior que vai modificando a rotina da residência, assustando seu pai e envolvendo a jovem inquilina Bruna, que passa a ajudá-lo. Entre presente e passado, natural e sobrenatural, coisas estranhas vão acontecendo.

As imagens do passado em uma VHS antiga também ajudam a criar o clima, seja nos sonhos de Júnior ou na tela da televisão. É possível perceber o peso daqueles rituais estranhos, principalmente do gesso da cabeça. A forma como a mãe é quase uma sombra nas lembranças dele também é bastante significativa. Vemos sempre um vulto, um detalhe, sem nunca encará-la de frente, de maneira natural.


Mas, uma das cenas mais impressionantes do filme é quando o pai chama uma médium para examinar o filho. Apesar de alguns exageros, é interessante a forma com que tudo vai sendo conduzido sem cair na caricatura, nos dando verdade. Cada detalhe, desde a folha colocada na nunca, o vento, as reações do personagem, impressiona.
Quando Eu Era Vivo é daqueles filmes que nos deixa feliz de ver. Não que seja perfeito ou uma verdadeira obra-prima. Mas, é uma obra competente de gênero, que cumpre o seu papel de maneira simples, sem efeitos especiais, com uma boa história, bons atores e uma boa forma de contar. Demonstra que o Brasil tem competência para se arriscar mais em projetos diferentes.
Quando Eu Era Vivo (Quando Eu Era Vivo, 2014 / Brasil)
Direção: Marco Dutra
Roteiro: Gabriela Amaral Almeida e Marco Dutra
Com: Antônio Fagundes, Marat Descartes, Sandy Leah
Duração: 108 min.