
Campeão olímpico de luta greco-romana, Mark Schultz queria ser campeão mundial e novamente olímpico nas Olimpíadas de Seul. Treinava com seu irmão, David Schultz, outra lenda do esporte, até que recebe um estranho convite do milionário John du Pont. Se mudar para sua propriedade, onde treinaria na equipe Foxcatcher, totalmente financiada por ele. Mark aceita, tenta levar o irmão, mas este não quer, e seu caminho começa a se tornar perigoso diante do ritmo de vida do milionário.


Era um homem perturbado emocionalmente, vide a cena em que sua mãe chega para assistir a um treino. A mudança na sua fisionomia, a simulação de um discurso patriótico e de orientações para os atletas. O olhar da mãe com pena de seu rebento, ecoando ainda as suas falas anteriores de que aquele é um esporte inferior e que ele estava se rebaixando. Tudo isso é bastante complexo e ajudam a moldar o personagem.

A constituição de época também é muito bem feita, podendo ser observada nos detalhes, nos carros, nas roupas. A direção de arte cuidadosa nos dá até os detalhes da orelha marcada de Channing Tatum, característica de lutadores da modalidade. Todos os objetos da mansão Du Pont também ajudam a construir a estranheza daquela família e toda a pompa que a dinastia construído e reflete no personagem. Não por acaso, quando Mark chega pela primeira vez no chalé onde morará, se sente um verdadeiro estranho no ninho.
Foxcatcher é mais do que um filme sobre atletas. É também mais do que uma obra sobre um milionário excêntrico. E mais do que um retrato de uma história real. É uma jornada de aprendizado, onde perdas e ganhos parecem se misturar, não sabendo até que ponto vale a pena vencer para perder, ou perder para vencer. Uma história realmente perturbadora.
Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher, 2014 / EUA)
Direção: Bennett Miller
Roteiro: E. Max Frye, Dan Futterman
Com: Steve Carell, Channing Tatum, Mark Ruffalo, Sienna Miller, Vanessa Redgrave
Duração: 129 min.