
Howard Hughes herdou uma fortuna de seu pai, mas não se contentou com isso. Visionário e extremamente criativo, ele estava sempre disposto a quebrar limites. Construiu aviões diversos, caças rápidos, comerciais e até um gigante que deu o nome de Hércules. Foi também diretor e produtor cinematográfico, mexendo com os padrões de Hollywood na época, lançando o, até então, mais caro filme da história. Namorou estrelas como Katharine Hepburn e Ava Gardner. E comprou briga com corporações que o levaram até a uma CPI no senado.


O único lugar em que Hughes parecia se sentir seguro era no ar. Não por acaso ele se auto-intitulava O Aviador. Era essa sua maior paixão, mesmo quando estava no auge do romance com Katharine Hepburn, esse era o código deles, seu refúgio, a forma que ela o acalmava após alguma crise ou problema. Uma espécie de pacto também, que ao mesmo tempo que os aproximava, acabou por afastá-los.

E, para além da boa composição de personagem, retrato de uma época e de uma parte do mundo do cinema e do comércio aéreo, O Aviador é também um filme extremamente competente em sua construção de imagens. A composição da mise-en-scène, a fotografia, os efeitos especiais culminam em uma direção precisa de Martin Scorsese que não nos conta sobre um personagem, nos mostra em detalhes. Em nenhum momento é necessário falar por exemplo que ele é hipocondríaco. Vemos isso em cada cena. Da mesma forma que vemos sua paixão pela aeronáutica ou seu perfeccionismo nos filmes. Está tudo em tela de maneira sutil, sem ser didático.
O Aviador é um filme envolvente, tanto que sua longa duração não é sentida, passando de maneira rápida. Nos envolvemos com o personagem, sua energia, sua paixão, sua multifunção e embarcamos junto nessa jornada insólita em busca de ultrapassar limites. Uma obra que merece sempre uma revisita.
O Aviador (The Aviator, 2004 / EUA)
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: John Logan
Com: Leonardo DiCaprio, Cate Blanchett, Kate Beckinsale, John C. Reilly, Alec Baldwin, Alan Alda, Ian Holm
Duração: 170 min.