
Essa construção de metáforas, metalinguagens e reflexões sobre arte, tecnologia e escolhas são os principais ingredientes de O Congresso Futurista, um filme que mistura live action com animação para nos levar por uma jornada de reflexão bastante instigante. Ao interpretar a si mesma, Robin Wright nos dá uma profundidade ainda maior à discussão proposta, ainda que com diversas questões fictícias, claro. Mas, no geral, temos a atriz e seus trabalhos sendo avaliados de uma maneira bastante dura em cena.

Toda a primeira parte gira em torno da escolha da atriz em aceitar a proposta do estúdio. Vender sua imagem em definitivo para se tornar de certa forma eterna. Ao ser escaneada e colocada em um computador, Wright deixa de ser um ser humano sujeito ao tempo e se torna eterno. Mas, ao mesmo tempo, irreal e susceptível às escolhas do estúdio. Ainda que não seja mais ela, é sua imagem ali refletida, tornando-se parte de um jogo que vai além da nossa própria imaginação.


Em sua busca pelo real em meio ao irreal, Ari Folman talvez apenas se perca um pouco, nos faltando um norte em sua crítica e análise. Talvez por isso, a âncora dessa segunda parte seja a pista lançada na primeira, com a relação entre Wright e seu filho Aaron. O gancho da busca pelo garoto nos vai guiando nas sensações e desejos da atriz que se perde e se acha naquele mundo imagético e mutável.
O Congresso Futurista é um filme que nos instiga. Aponta para diversos temas e nos envolve em seus questionamentos de maneira intensa. Talvez, primeira e segunda parte pudessem ser melhor organizadas e as questões levantadas no início melhor desenvolvidas na segunda fase da trama. Ainda assim, é um filme que merece nosso destaque.
O Congresso Futurista (The Congress, 2014 / Alemanha)
Direção: Ari Folman
Roteiro: Ari Folman
Com: Robin Wright, Harvey Keitel, Jon Hamm
Duração: 122 min.