
Andrew é um aluno da melhor faculdade de música dos Estados Unidos. Seu sonho é ser um baterista famoso como seu ídolo Buddy Rich. E, para isso, ele não pretende poupar esforços, horas de estudo e treinos que o levem a exaustão se for preciso. Tudo piora quando ele chama a atenção do professor Terence Fletcher, reverenciado e temido por toda a escola. Ele entra para a orquestra principal da instituição, mas isso só fará ele ser ainda mais cobrado.

É interessante o quanto professor e aluno se parecem em diversos aspectos. O orgulho, a arrogância, a obsessão pela perfeição os persegue em igual intensidade ainda que um seja o carrasco e o outro a aparente vítima. Isso torna tudo ainda mais instigante, porque não vemos ali o vilão e o mocinho. Os dois se provocam, se fazem mal e bem ao mesmo tempo. Esse eterno questionamento do limite do jogo é que nos faz continuar ali, presos ao processo.


Damien Chazelle ainda nos mostra isso com uma força imensa em suas imagens. São muitas cenas de ponto de vista dos personagens, enquadramentos que causam tensão e suspense. Sem falar na montagem que segue o ritmo do jazz de maneira tão visceral que nos parece que a música é quem conta tudo aquilo. Não por acaso é difícil sair da sala antes do final dos créditos, seguindo o ritmo dos acordes da música que dá nome ao filme.
Whiplash: Em Busca da Perfeição é um filme intenso e envolvente que discute exatamente essa busca e cobrança desenfreada pela perfeição. Discute também até que ponto um professor pode exigir de um aluno e quais os limites da educação. Mas, acima de tudo, é um filme sobre música, as dores e as delícias de se viver para ela. Um filme que nos absorve em diversos sentidos.
Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash, 2014 / EUA)
Direção: Damien Chazelle
Roteiro: Damien Chazelle
Com: Miles Teller, J.K. Simmons, Melissa Benoist, Paul Reiser, Austin Stowell, Nate Lang
Duração: 107 min.