
A doutora em linguística Alice Howland começa a perceber que algo estranho acontece com ela. É quando consulta um neurologista e é diagnosticada com Alzheimer precoce. A partir daí, ela e sua família vão ter que conviver com a doença. E sua filha Lydia, a que parecia mais distante, é a que acaba a compreendendo melhor.
Em determinado momento da trama, Alice faz um discurso para um grupo de pacientes e familiares do mal de Alzheimer. É o momento mais emocionante do filme, porque ela abre o seu coração e fala do que mais a incomoda na doença. Ela está indo embora, pelo menos a Alice como ela conhecia e de quem se orgulhava. Mas, ela ainda está ali, e precisa fazer algo por isso.

Lidar com a pena é um dos maiores problemas do paciente. A própria Alice comenta em algum momento que um paciente com câncer todos se mobilizam, fazem campanha, a luta é admirada, mas com o Mal de Alzheimer é diferente. A demência parece assustar mais ao ser humano que qualquer outra coisa, porque ele se torna um incapaz.


Sentimos o medo dela quando está começando a perceber os sintomas, o desespero ao constatar o diagnóstico, a confusão e dor a cada deterioração do cérebro e a incapacidade de realizar simples tarefas. A luta por ainda tentar viver em um mundo que não entende. Até a quase entrega completa. A cada momento, a interpretação da atriz é precisa e detalhista, além de extremamente verdadeira.
Para Sempre Alice poderia, então, ser um filme mais intenso e envolvente, construído em torno de uma doença cruel e ingrata que destrói aquilo que a pessoa foi pela simples incapacidade de conectar suas próprias ideias e memórias. Mas, acaba sendo superficial e esquemático, salvando apenas a interpretação intensa de sua protagonista.
Para Sempre Alice (Still Alice, 2014 / EUA)
Direção: Richard Glatzer, Wash Westmoreland
Roteiro: Richard Glatzer, Wash Westmoreland
Com: Julianne Moore, Alec Baldwin, Kristen Stewart
Duração: 10 min.