
Em um futuro não muito distante, o ser humano foi obrigado a abandonar a superfície devido à poluição radioativa no meio ambiente, passando a viver em um abrigo nuclear subterrâneo controlado por regras rígidas e onde qualquer informação do passado é proibida. Porém, um grupo de rebeldes se organiza em segredo para tentar desvendar o mistério e arrumar uma forma de retornar à superfície.

A trama também traz muitos elementos do gênero, seja pelo controle de uma minoria opressora, ou seja pela eterna necessidade do ser humano de liberdade. Mas, chama a atenção, principalmente a preocupação com a temática tão em voga na época, em plena Guerra Fria: o medo de uma catástrofe nuclear e a mensagem ecológica da necessidade de cuidar do planeta. Energias que até hoje discutimos e ainda não são plenamente usadas como eólica ou solar já são apontadas na obra.

No final, temos uma obra que não é apenas curiosa como uma coisa alegórica, mas de fato um filme interessante e revolucionário em diversos aspectos. Uma tentativa de ir além do comum em uma cultura que ainda considera os gêneros uma coisa menor, da indústria norte-americana, mas que tão bem dialoga com o público em geral. E nada melhor do que uma ficção científica para refletir sobre a nossa realidade. Mais um ponto para Roberto Pires.
Cópia restaurada vista no XI Panorama Internacional Coisa de Cinema.
Abrigo Nuclear (1981 / Brasil)
Direção: Roberto Pires
Roteiro: Orlando Senna
Com: Conceição Senna, Roberto Pires, Norma Bengell, Nonato Freire
Duração: 95 min.