
A trama é relativamente simples e utiliza de todas as ferramentas de suspense. Becca e Tyler são dois pré-adolescentes, que não conhecem os avós maternos, porque sua mãe cortou relações com eles há muito tempo. Mas, por insistência dos senhores, ela deixa que os meninos passem uma semana com eles. Becca vê nisso uma possibilidade de curar a dor que acredita que a mãe tenha de nunca ter sido perdoada pelos pais quando foi embora. Para criar um eco familiar, os dois meninos ainda sofrem pela ausência do pai que saiu de casa quando eles eram pequenos, criando uma espécie de necessidade de resgate familiar maior.

Porque, claro, se você já viu o trailer, deve imaginar que a visita de Becca e Tyler não é tranquila. Fenômenos estranhos acontecem, principalmente à noite. É interessante a forma como o diretor utiliza dos pré-conceitos de filmes assim para jogar com nossa expectativa. Não falo exatamente da revelação do final, que fica quase óbvia em certo momento. Mas, pela estrutura em si do que está por trás de tudo aquilo. Os elementos que ele utiliza para nos assustar são bem feitos e nos fazem inclusive pensar sobre nossos medos e o que deveria, de fato, nos assustar.


Ainda que não traga nada de novo, nem mesmo seja totalmente perfeito em sua técnica, A Visita é um bom filme de suspense. O fato de ser um falso documentário, inclusive, permite um filme mais solto de uma decupagem tão cuidadosa como normalmente são os filmes do diretor. Tem sustos, tem tensão, tem boas escolhas e boas justificativas. Agora, se não fosse a retomada de uma possível boa fase para M. Night Shyamalan, seria apena mais um filme, sem grandes atrativos. E talvez, seja exatamente disso que o diretor esteja precisando para recolocar sua carreira no eixo. Um filme simples, competente, mas extremamente comum.
A Visita (The Visit, 2015 / EUA)
Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan
Com: Olivia DeJonge, Ed Oxenbould, Deanna Dunagan, Peter McRobbie, Kathryn Hahn
Duração: 94 min.