
Creed, o filme, é sobre o jovem Adonis Johnson, filho bastardo de Apollo que depois de uma infância ruim, foi adotado por Mary Anne e tinha tudo para ter uma vida tranquila. Mas, a luta está em seu sangue e o rapaz quer ser um lutador profissional como foi seu pai. Sem o apoio da mãe adotiva, ele procura Rocky para treiná-lo. E agora é provar que não é apenas o nome de seu pai, ele também herdou o seu talento.
Ainda que Rocky esteja ali, é interessante como o filme é uma ode a Apollo. O lutador é citado como o melhor de todos os tempos e o próprio Rocky diz que ele era melhor que ele. Há também uma construção inversa da jornada do herói. Pois é Creed quem busca a aventura e seu mentor a nega por algumas vezes antes de aceitar guiá-lo.

É quase um conto do pobre menino rico, pois bens materiais não são tudo na vida. Adonis sofre e a construção da narrativa nos leva a um drama cheio de carga emocional forte, como toda a saga de Rocky. Apesar da proteção financeira e até mesmo o amor de Mary Anne, faltava a Adonis o apoio emocional por ter sido um filho bastardo e nunca ter conhecido o pai.

Ryan Coogler consegue manter muitas das marcas da série Rocky na trama, construindo um eco interessante entre as duas histórias, mas ao mesmo tempo trazendo algo novo. O filme pulsa por si só e consegue empolgar em diversos momentos. As cenas de luta são muito bem orquestradas e a câmera nos conduz de uma maneira impressionante.
Creed: Nascido para Lutar se fecha em si, mas também pode indicar um novo recomeço de saga. Tal qual Rocky que rendeu seis filmes, o jovem tem fôlego para mais algumas lutas. Vamos torcer apenas para manter o nível deste aqui.
Creed: Nascido para Lutar (Creed, 2016 / EUA)
Direção: Ryan Coogler
Roteiro: Ryan Coogler, Aaron Covington
Com: Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Phylicia Rashad, Tony Bellew
Duração: 133 min.