
É um filme, antes de tudo, belo. Belo em sua crueza de mundo e na maneira como homens podem se corromper por promessas de riquezas. Há também o velho jogo do oráculo e que ninguém foge ao seu destino por mais esperto que queira ser. Tudo que faz para fugir dele acaba o levando de volta ao inevitável.
Macbeth era um guerreiro fiel e justo, mas ao ouvir o presságio de que seria rei se torna um tirano. Sendo ainda influenciado por Lady Macbeth, que parece ainda mais envolta nas sombras do desejos que acredita inócuos, quando na verdade, são o que levam seu marido à perdição.

Sua linguagem rebuscada, no entanto, acaba soando estranha quando levada às telas do cinema na íntegra. Parece fora de contexto, como uma grande encenação diante de um mundo que busca realismo. Aqui há momentos assim, quando personagens discursam sobre o destino, sozinhos ou em meio a multidões. Mas, no caso deste filme, acaba não sendo algo ruim, pois contribui para a poesia composta em imagens.

As atuações também são extremamente seguras e verdadeiras, ainda que em postura teatral, conseguem naturalizar as falas e expressões em cena. Michael Fassbender consegue nos passar a angústia de um homem em duelo com sua própria consciência, assim como Marion Cotillard nos apresenta sua angústia contida e poder de influenciar. E Paddy Considine consegue nos apresentar um Banquo fiel e crente, percebendo as nuanças em sua virada na trama.
Macbeth: Ambição e Guerra é um filme intenso que nos faz sair da sala pensativos, mas também encantados pela composição artística que acabamos de presenciar. Provavelmente, foi esse sentimento que fez a plateia em Cannes ovacioná-lo com tanto entusiasmo.
Macbeth: Ambição e Guerra (Macbeth, 2015)
Direção: Justin Kurzel
Roteiro: Jacob Koskoff, Michael Lesslie , Todd Louiso
Com: Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jack Madigan, David Thewlis, Paddy Considine
Duração: 113 min.