
Michael Stone é um escritor e palestrante motivacional especialista em empresas e empreendedorismo. Ao chegar em mais uma cidade para uma palestra ele tenta contactar um antigo amor, mas sua investida não é feliz e ele acaba sozinho no hotel onde está hospedado, é quando conhece Lisa, uma moça que está com uma amiga no mesmo local para assistir sua palestra. E imediatamente se encanta, pois Lisa tem algo que a diferencia dos outros.

Essa customização acaba ajudando e muito no orçamento, é verdade, já que a produção de um longa-metragem em stop motion é sempre um trabalho hercúleo. Mas, o objetivo principal não é mesmo esse, mas o impacto da transposição dos sentimentos e sensações de Michael para imagens e sons. E é incrível, como com tão pouco é possível se passar muito, principalmente com a chegada de Lisa e algumas reviravoltas posteriores.

O roteiro é feliz em nos fazer ir descobrindo aos poucos esses signos, inclusive o "anomalisa" que fica claro mesmo antes da externalização explícita. O jogo com o pesadelo também é bastante revelador nos dando um pouco mais da personalidade egocêntrica de Michael e as justificativas para o que acontece depois.

E apesar de expor o que muitas produções tentam esconder (como as marcas nos rostos), Duke Johnson e Charlie Kaufman conseguem nos dar uma animação rica em detalhes e extremamente bem feita. Há cuidados com a respiração dos personagens, com os objetos em cena, até mesmo um taxímetro que muda a cada quilômetro. Os movimentos ainda que marcados, também conseguem ser fluidos em muitas cenas, desde quando corre, até uma delicada e desajeitada cena de sexo. Sim, é bom reforçar que a animação está longe de ser infantil, já que aqui no Brasil parece haver uma uniformização da técnica em um único gênero.
Anomalisa é uma obra intensa como todas de Charlie Kaufman. Impressionante, criativa e profunda. Consegue nos impactar de uma maneira única. Um filme que merece ser revisto e interpretado em todos os seus detalhes.
Anomalisa (Anomalisa, 2016 / EUA)
Direção: Duke Johnson, Charlie Kaufman
Roteiro: Charlie Kaufman
Duração: 110 min.