
O Que Está Por Vir. O título do filme já é extremamente sensível e em sintonia com o título original que é L'avenir. Porque olha para o futuro em uma época da vida em que a sociedade tende a julgar que já é o fim da linha.
Isabelle Huppert dá vida a Nathalie, uma professora de filosofia de meia-idade, casada há vinte e cinco anos e com dois filhos adultos. Sempre colocou para si a missão de ajudar seus alunos a pensarem por si próprios e nunca gostou de impor opiniões, nem mesmo discutir sua posição política. A escola em que ensina está passando por momentos turbulentos, alunos protestam, tentam impedir as aulas. Ela, não apenas entra, como convence alguns a assistir sua aula, não como imposição, como faz seu marido, mas como um convite à reflexão.

Isabelle Huppert consegue nos passar esses sentimentos de uma maneira bastante eficaz. Seu semblante nos passa calma e temor a todo tempo. Em cada gesto, em cada atitude. Há uma vida, de fato, pulsando ali e não apenas uma personagem esquemática. Mais uma vez, após Elle, a temos como protagonista de uma obra que faz um estudo de personagem. E uma persona tão distinta da mulher fria e assustadora do filme de Paul Verhoeven. Nathalie nos parece próxima, a professora, a amiga que gostaríamos de ter tido.

E esse tom realista está em todos os detalhes do filme, as locações por onde Nathalie passa desde a sala de aula ao parque onde leva os alunos para uma experiência ao ar livre, passando por sua casa, ruas, estradas. A vida pulsa em tela de maneira muito natural e orgânica. A luz natural é aproveitada ao máximo pela fotografia, assim como o desenho de som nos ambienta nos locais.
O que está por vir é uma experiência gostosa de acompanhar, ainda que repleta de tantos desafios cotidianos e de uma certa melancolia. Há um otimismo apesar de tudo e uma certeza de que a vida está apenas recomeçando.
O Que Está Por Vir (L'avenir, 2016 / França)
Direção: Mia Hansen-Løve
Roteiro: Mia Hansen-Løve
Com: Isabelle Huppert, André Marcon, Roman Kolinka
Duração: 102 min.