
"Me Chame pelo Seu Nome que eu te chamo pelo meu". Baseado no livro de André Aciman, o cineasta italiano Luca Guadagnino e o roteirista James Ivory nos entregam em tela uma declaração de amor profunda e ao mesmo tempo contida. Tal qual a relação dos dois protagonistas, que é intensa e controversa ao mesmo tempo.
Elio é um jovem de 17 anos em amadurecimento, período em que está descobrindo o sexo e suas preferências. Ensaia suas primeiras investidas com a jovem Marzia, mas é com Oliver, aluno de seu pai hospedado em sua casa durante o verão, que vai viver uma experiência mais intensa. A descoberta da sexualidade de Elio vai se dando de maneira natural, aproximando-se de Oliver aos poucos, com curiosidade. Há um desejo latente em ambos, mas o rapaz mais velho parece temer mais a relação que o jovem. Talvez pela criação que teve, como irá verbalizar mais a frente.

Ambientada no início dos anos 80, a trama é sensível ao construir as descobertas de maneira leve, sem o peso de um relacionamento não convencional. Sem culpas, punições ou sofrimentos. Mesmo o relacionamento com as meninas é saudável em clima de descobertas, sem maiores consequências emocionais. Ainda que elas se tornem quase figurantes na trama.
Aliás, as personagens femininas são todas pouco expressivas, mesmo a mãe de Elio ou a empregada Mafalda, são pouco desenvolvidas. O foco está nos dois protagonistas com um pouco de desenvolvimento também para o pai do garoto, o Mr. Perlman que tem um dos momentos mais emocionantes do filme, em um conversa com o filho.

A trilha sonora também chama a atenção, principalmente pela aptidão musical de Elio. Muitas das músicas são tocadas por ele ao piano ou violão, sem falar nos diversos momentos em que está com um fone de ouvido, transcrevendo partituras. A música funciona ainda como metáfora também de embate ou apaziguamento, como quando Oliver pede que o rapaz repita uma melodia que estava dedilhando no violão, no piano. Há um misto de exibição, sedução, pirraça e entrega ali que envolvem pela maneira simples como é construída.
Me Chame pelo Seu Nome é um filme sensível. Bem construído traz a sexualidade de uma maneira saudável, em sua descoberta, medos e tabus que vão além da questão homo ou heterossexual. Afinal, quem nunca teve um amor de verão? Daquelas obras que nos impactam positivamente e justifica o destaque que tem tido nessa temporada de premiações.
Me Chame pelo Seu Nome (Call Me by Your Name, 2018 / Itália / França / Brasil)
Direção: Luca Guadagnino
Roteiro: James Ivory
Com: Armie Hammer, Timothée Chalamet, Michael Stuhlbarg, Amira Casar
Duração: 132 min.