Agora, é instigante perceber que em anos como 96, quando o cinema brasileiro era uma paciente na UTI, com dois filmes sendo produzidos por ano, ele conseguiu chamar a atenção do mundo. Enquanto que hoje, com tantas obras, estamos nesse jejum de indicações. Claro que outros festivais continuam prestigiando o cinema tupiniquim, como Berlim que deu o Urso de Ouro para Tropa de Elite. Mas, o Oscar, a festa máxima do cinema americano, ainda é o prêmio que dá maior visibilidade para o grande público. Tanto que todas as indicações foram revertidas em bilheterias mais altas e citações em qualquer roda de conversa.
A pergunta que fica é se estamos produzindo filmes menos dignos ou escolhendo mal os nossos representantes. É uma opinião pessoal, mas acredito que a segunda opção é mais plausível. Escolher um filme como Olga para concorrer a uma vaga no Oscar, por exemplo, chega a ser ingenuidade do Minc. Tá bom, a produção impressiona, mas o filme é ruim, não há outra forma de defini-lo. Costumo dizer que a melhor coisa de Olga é o trailer, muito bem feito, impressiona e dá vontade de ver o filme. Talvez por isso, ele seja tão decepcionante. O roteiro é equivocado, reduz o impacto da história ao começar com o campo de concentração e tem diálogos pífios. A direção é inexperiente, com vícios televisivos e closes que chegam a incomodar. Jamais poderá ser considerado um grande filme brasileiro.

O fato é que mais uma vez, vamos ver chamadas da Globo para "a maior festa do cinema mundial" e não estaremos representados nela.
Indicados do Brasil:
1963 - O pagador de promessas
1996 - O Quatrilho
1998 - O que é isso, companheiro?
1999 - Central do Brasil
Lista do Minc para candidatos em 2009:
“A Casa de Alice”, de Chico Teixeira
“A Via Láctea”, de Lina Chamie
“Chega de Saudade”, de Lais Bodanski
“Era Uma Vez”, de Breno Silveira
“Estômago”, de Marcos Jorge
“Meu Nome Não é Johnny”, de Mauro Lima
“Mutum”, de Sandra Kogut
“Nossa Vida Não Cabe Num Opala”, de Reinaldo Pinheiro
“Olho de Boi”, de Hermano Penna
“Onde Andará Dulce Veiga?”, de Guilherme de Almeida Prado
“O Passado”, de Hector Babenco
“Os Desafinados”, de Walter Lima Junior
“O Signo da Cidade”, de Carlos Alberto Riccelli
• “ Última Parada 174”, de Bruno Barreto