Desde que surgiu o cinema de ficção, surgiu a adaptação de obras diversas para a grande tela. Livros, peças de teatro, fatos reais, histórias em quadrinhos, tudo sempre serviu de inspiração para histórias diversas e sempre foram muito bem aceitas. As pessoas gostam de rever histórias conhecidas com outro tratamento. Segundo
Linda Seger, 85% do vencedores do Oscar de melhor filme são adaptações. Esse é um dado assustador, que provavelmente se confirmará esse ano, já que
Milk é o único dos cinco indicados a melhor filme que é roteiro original, mesmo assim baseado em fatos reais. Será que a inspiração é tão pequena que histórias originais são raras de conquistar grandes platéias? Como dizia Lavoisier "nada se cria, tudo se transforma". E em uma indústria que visa o lucro rápido como o cinema comercial americano, é mais fácil apostar no já conhecido.

Com a evolução da tecnologia, muitas histórias dos quadrinhos passaram para as telas com novas roupagens, mas a sensação é que eles estão tão preocupados com os efeitos que esquecem as histórias.
Homem-Aranha![[bb]](https://lh3.googleusercontent.com/blogger_img_proxy/AEn0k_tBxKmsX6Mrb9kFOty3csfx8z7l_efjyhBZKEM5oZFHHe2HuSzNieAjz927gAv6ykT6Zp07IGbbOgsb=s0-d)
mesmo teve um ótimo roteiro em seu primeiro filme, mas as continuações foram caindo a olhos vistos. O terceiro filme é confuso, superficial e com muitos elementos desnecessários.

O fato é que adaptar é sempre um processo delicado. Há uma máxima no senso comum que diz que um filme nunca é tão bom quanto o livro. Não chega a ser uma verdade absoluta. O problema é que ao ler um livro a nossa mente se transporta para o mundo que nossa imaginação é capaz de criar e nenhum diretor, por mais sensitivo que seja, irá conseguir suprir a imaginação de cada ser humano. Adaptar não é necessariamente ser totalmente fiel a obra, como muitos fãs exigem, mas contar a mesma história com os recursos da mídia proposta. A essência é que tem que estar lá. Quando converso com fãs de
Tolkien que abominam a trilogia que chegou ao cinema pelas mãos de
Peter Jackson percebo esse preciosismo. Ninguém, nem o próprio
Tolkien, conseguiria fazer um filme que os agradasse, pois eles queriam ver o livro na tela e isso, é impossível. A obra tem alterações, tem cenas que estão nos apêndices e foram inseridas para dar mais trabalho a
Liv Tyler e justificar seu cachê. Tem muita coisa condensada e retirada, mas a essência está lá. A Terra Média conseguiu ser reproduzida de forma satisfatória.

Pior foi o que fizeram com a obra de
Marion Zimmer Bladley. Os fãs de As Brumas de Avalon assistiram assustados a uma deturpação da história. Nem
Anjelica Huston como Viviane conseguiu salvar o filme. Todo o esforço em mostrar que o ser humano é ambíguo e que cada religião e povo defende seu ponto de vista foi reduzido mais uma vez a dicotomia do bem vs. mal. No
filme, Morgana oscilava entre uma tola deslumbrada e uma mocinha de folhetim. Gwenhwyfar ficou uma coitada sofredora. E Morgause a encarnação do mal. É bom lembrar, aos desavisados que não leram o livro que não existem bem e mal para as sacerdotisas de Avalon, então, Viviane jamais poderia dizer coisa do tipo: "Minha irmã é uma feiticeira má". Talvez alguma boa alma ainda consiga refilmar essa grande obra como ela merece.
O fato é que, para adaptar, o roteirista precisa conhecer a obra e tirar dela a sua essência. Depois, o trabalho é de construção de uma história condizente com a mídia a que está se escrevendo. Assim conseguimos belos e eternos filmes como E o Vento Levou, Dança com lobos, A noviça rebelde, O poderoso Chefão, Ben Hur, entre outros. Sim, todos eles são adaptações.