
Quando anunciaram o filme brasileiro que iria tentar o Oscar de filme estrangeiro, eu pensei que realmente não entendesse nada de cinema, afinal não suportei o filme de Bruno Barreto. Felizmente, semana passada, o Prêmio Vivo de Cinema mostrou que, como eu pensava, tínhamos filmes muito melhores no ano.
Os dois grandes vencedores da noite foram Estômago e Meu nome não é Johnny. O primeiro melhor filme, diretor e roteiro original, confirma seu favoritismo e é, para mim, o melhor filme brasileiro de 2008, tanto que falei dele há duas semanas por aqui. Meu nome não é Johnny levou ator e melhor roteiro adaptado. É uma boa obra, mas acho que falta algo a trama para se tornar um filme inesquecível. Mariza Leão e Mauro Lima conseguiram adaptar muito bem a história que o protagonista escreveu no seu livro homônimo. A trama de um rapaz de classe média alta que vira traficante de drogas é inusitada, já que estamos acostumados a rotular traficantes como negros de origem pobre que vivem no morro. Mesmo assim, o filme não deixa de ter clichês. A interpretação de Selton Mello merece prêmios, apesar de, por gosto pessoal, eu preferir João Miguel.
Dos cinco concorrentes a melhor filme, destaco ainda a presença de Ensaio sobre a Cegueira. Um grande filme de Fernando Meirelles que abrilhanta ainda mais a vitória de Estômago. E Linha de Passe de Walter Salles que figurava entre os preferidos da crítica.
Tudo isso, demonstra que a academia de cinema deve pensar bem, antes de escolher um representante ao Oscar se quiser voltar a figurar entre os cinco e, quem sabe, um dia levar a estatueta para casa.
O baiano Maurício Lídio venceu na categoria celular, novidade do mundo tecnológico que fez um realizador de celular estar no mesmo tapete de diretor já consagrados como Fernando Meirelles, Walter Salles e Lais Bodanzky. Este é o curta vencedor da categoria:
Os vencedores:
Melhor Filme: Estômago
Melhor diretor: Marcos Jorge (Estômago)
Melhor ator: Selton Melo (Meu nome não é Johnny)
Melhor atriz: Leandra Leal (Nome Próprio)
Melhor longa Documentário: O mistério do Samba
Melhor roteiro Original: Cláudia Da Natividade, Fabrízio Donvito, Lusa Silvestre e Marcos Jorge (Estômago)
Melhor roteiro adaptado: Mariza Leão e Mauro Lima (Meu nome não é Johnny)
Melhor Longa-Metragem Estrangeiro: Vicky Cristina Barcelona (Vicky Cristina Barcelona, Ficção, Espanha/Inglaterra)
Melhor Longa-Metragem Infantil: Pequenas Histórias
Melhor Longa-Metragem De Animação - Menção Honrosa: O Garoto Cósmico
Melhor Ator Coadjuvante: Babu Santana (Estômago)
Melhor Atriz Coadjuvante: Julia Lemmertz (Meu Nome Não É Johnny)
Melhor Trilha Sonora Original: Fabio Mondego, Fael Mondego, Marco Tommaso e Mauro Lima (Meu nome não é Johnny)
Melhor Trilha Sonora: Wagner Tiso (os dasafinados)
Melhor Som: Amando Torres Jr, François Wolf e George Saldanha (Meu nome não é Johnny)
Melhor Efeitos Visuais: André Waller, Renato Tilhe, Ricardo Gorodetcki e Tamis Lustre (Ensaio sobre a cegueira)
Melhor Montagem De Documentário: O Mistério Do Samba - Natara Ney
Melhor Montagem De Ficção: Marcelo Moraes (Meu nome não é Johnny)
Melhor Direção De Fotografia: César Charlone (Ensaio sobre a cegueira)
Melhor Direção De Arte: Tulé Peake (Ensaio sobre a cegueira)
Melhor Maquiagem: Micheline Trépanier (Ensaio Sobre a Cegueira)
Melhor Figurino: André Simonetti (Chega de Saudade)
Melhor Filme Nacional pelo Voto Popular: Estômago
Melhor Filme Estrangeiro pelo Voto Popular: Vicky Cristina Barcelona (Vicky Cristina Barcelona, Ficção, Espanha/Inglaterra)
Melhor Curta-Metragem De Animação: Dossiê Rê Bordosa
Melhor Curta-Metragem De Documentário: Dreznica
Melhor Curta-Metragem De Ficção: Café Com Leite
Melhor filme para celular: Bárbara