
Este é o mote do filme, Valsa com Bashir, que tem de mais inusitado o fato de ser um documentário todo em animação. Um doc-drama, na verdade, já que há muitas imagens oníricas, simulação de cenas e uma narrativa forte. Porém, o formato é bastante documental, tendo inclusive entrevistas com ex-combatentes, com o cuidado de por legendas e enquadrar como algo real. Ari Folman vai em busca de seus companheiros de guerra, entrevistando-os, na tentativa de recordar sua vivência. Aos poucos, sua memória vai voltando e ele vai narrando suas emoções.
O mote principal é o massacre ocorrido em Sabra e Shatila, em 1982. Nos dias 15 e 16 de setembro daquele ano, uma milícia libanesa cristã-falangista, revoltada com a morte de seu líder Bashir Gemayel, executou milhares de refugiados palestinos com o aval do exército de Israel. Com isso, o filme faz uma reflexão e mostra a insensatez da guerra.
Merecido o prêmio de melhor filme estrangeiro no Globo de Ouro. E apesar de perder o Oscar para Okuribito (Japão) não perdeu seu brilho nem a importância. O desenho realista e a direção impressionam, deixando o espectador preso à narrativa e podendo conhecer um pouco mais sobre o ocorrido nas missões. O recurso de cores, mais vibrantes em cenas alegres e opaca nas cenas mais densas, além das possibilidades de uma animação, apenas enriquecem a trama. É sem dúvidas, um belo filme. De uma realidade triste, medonha, mas ainda assim um belo filme.
O susto fica para o final. E se quiser ser surpreendido, não leia o que está em preto (para ler selecione o espaço com o mouse), mas aviso que é chocante e você sai do cinema com um certo sabor amargo e depressivo. E saber disso, não chega a estragar a experiência fílmica. Já vi algumas críticas pela net que contam esse final. Exatamente pelo recurso mais ameno da animação, Ari Folman percebe que o desenho acaba não dando a dimensão exata do sofrimento daquelas pessoas e sem aviso, transporta a animação para imagens de arquivo, deprimentes, tristes, que deixam a noção exata de que a guerra é a maior de todas as sandices humanas.