
Superstição, misticimo e ignorância são retratados de forma crua em uma história sensível e verdadeira. Primeira obra de Mateus Nachtergaele como diretor, o filme emociona e deixa um nó na garganta com a situação exposta da realidade humana. Porém, a narrativa se arrasta mais do que deveria, com cenas desnecessárias, incluindo um índio dançando break que não diz para que veio e uma participação gratuita de Paulo José. Daria um excelente média-metragem. Como longa, acaba sendo cansativo. Mesmo assim, vale a pena ser conferido.

A interpretação de Daniel Oliveira, no entanto, apesar de bastante elogiada, tendo ganho inclusive prêmios, passa um pouco do tom. Está certo que o Santinho é exagerado e dado a chiliques sem sentido. Porém, em muitos momentos, sua interpretação me lembra tiques do próprio diretor, que tem uma expressão exageradamente teatral e que ficam over em uma película. Sua relação com o pai, interpretado por Jackson Antunes também acaba sendo forte demais, sem justificativa, estragando, principalmente o final do filme.

Como não tem o apoio da Globo Filmes, nem de grandes distribuidores, só agora o filme chega ao circuito oficial. Em Salvador, deve estrear no início de julho no Circuito Sala de Arte que teve uma pré-estréia no último sábado.
Prêmios
- Melhor Filme na categoria Novos Diretores, no Festival de Chicago.
- 6 Kikitos de Ouro no Festival de Gramado - Prêmio Especial do Júri, Melhor Ator (Daniel de Oliveira, Melhor Fotografia, Melhor Música, Prêmio da Crítica e Melhor Filme - Júri Popular.
- 2 Troféus Redentor no Festival do Rio - Melhor Diretor e Melhor Ator (Daniel de Oliveira).
- Melhor Ator (Daniel de Oliveira), no 12º Festival de Cinema Luso-Brasileiro.
- 2 prêmios no Festival de Cinema Brasileiro de Los Angeles - Melhor Fotografia e Melhor Roteiro.