
O filme traz Jim Carrey
Esquecer literalmente, em uma ação fantasiosa, o filme traz uma clínica capaz de apagar da memória a lembrança de alguém. O questionamento principal do filme é: mesmo que você tenha sofrido, é válido apagar de sua memória um grande amor? Porque a vida é feita de momentos, uns bons e outros ruins. Passar por ela sem amar é como passar a vida em branco. Já que entramos em uma onda piegas, apelo para Roberto Carlos: "Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi".
Filosofias de banheiro a parte, Brilho Eterno é um daqueles filmes raros. Um drama romântico inteligente que usa uma montagem não-linear para nos envolver em uma trama amorosa frustrada e nos surpreender com as reviravoltas na mesma. Prestem atenção na cor do cabelo da protagonista para não se perder no tempo-espaço. O roteiro é primoroso e nos leva a questionar as relações em nossa vida. A interpretação dos dois atores também ajuda. É, sem dúvidas, um grande filme.

Eles estão na casa de praia, ela sobe as escadas, uma câmera subjetiva a segue. Logo atrás, está ele, confuso, quer ficar, mas tem que ir embora. A cena é escura, representando a mente confusa do personagem. É uma exposição de sentimentos. Detalhes do chão, primeiro seco, com os pés do personagem indeciso. Depois a água entrando. Já não é mais a lembrança, mas a reflexão dela.
A câmera na mão segue Jim Carrey, mostra sua angústia, sua frustração pela atitude no passado. O som da onda do mar batendo, levando as lembranças é uma bela metáfora. O constraste de luz e sombra, externam sua angústia. A água entrando na casa, invadindo sua memória que será apagada. Interessante que após ela subir a escada, ficamos apenas com a imagem dele, ali estão os seus questionamentos, não é mais a lembrança do primeiro encontro. Apenas a voz dela é ouvida. Ele olha pela janela, o mar forte lá fora, pronto para invadir. A música triste começa a subir em B.G. Ele expõe todo seu medo e insegurança no primeiro encontro. Mas, tudo bem, parece que acabou, não tem volta. Até que ele sai pela porta, não há mais lembranças e algo acontece: ela o chama. Aí está o plus do filme, que não vou explicar, senão perde a graça. Mas, ela sai da sombra, toma a atitude, e os dois se despedem. É tocante, é bela, é mais que romântica. É a certeza de que apesar de tudo, o amor vale sempre a pena ser vivido. Ou não?