A consagração com as dez indicações ao Oscar, o sucesso e a carreira promissora, no entanto, não fizeram de Stallone um ator de reconhecido talento. Falar dele e de seus filmes, tornou-se algo passível de críticas. Durante anos, tive em Rocky a imagem de uma série de filmes menor, melodrama barato. Porém, revendo o primeiro filme, comecei a perceber as nuances de um clássico digno de ser visto, revisto e analisado.

Traça-se aqui uma trajetória do herói incomum. Mesmo assim, traz semelhanças com o manual criado por Vogler na década de 90, inspirado nas mil fases do herói de Joseph Campbell . Primeiro, Rocky já é um derrotado. Sofre como um condenado, sua vida é um desafio constante. Não é preciso, então, chamá-lo a aventura. Quando a chance de mudar aparece, ele não recusa, está lá de forma intensa, perseverante. Mas, precisa de um mentor. Apesar da trajetória de Rocky em seu primeiro filme ser basicamente sozinha, ele precisa de Mickey que lhe dá dicas, incentivos e apoio. Ele possui um bem desejado, que é Arien e encontra o seu elixir.
As lutas de Rocky, analisando toda a série, são sempre bem parecidas com a trajetória. Ele apanha muito antes de conseguir encaixar um golpe. É a sua sina, ele sempre começa por baixo e busca a superação. Até no sexto filme, quando ele já é um homem aposentado, está por baixo, sem o apoio do filho, viúvo e com dificuldades em seu restaurante.

Mas, voltando a Rocky - um lutador, o filme funciona sozinho, por mais que peça uma continuação. Afinal, aquele é apenas o início de carreira de Rocky, todos terminam o filme esperando o que vem depois. De qualquer forma, é a história de um homem e sua capacidade de superação. Impossível não se sensibilizar com ele. Até mesmo a sua amada Arien é totalmente atípica. Uma mulher extremamente tímida que desabrocha aos poucos, ao seu lado.
É, sem dúvidas, um ótimo roteiro. Pode não ter ganho o Oscar na categoria específica, mas ajudou-o a ganhar o de melhor filme e direção. Sua história é redonda, consistente e não cai no piegas. Não apela no final, fazendo uma conclusão coerente, possível e bastante satisfatória. Ou seja, é um bom filme e merece reconhecimento.