
Apesar da dúvida, optei pela inscrição no curso de crítica e não me arrependi. Ontem tivemos aula com Pablo Villaça. O crítico do Cinema em Cena teceu conceitos interessantes sobre o que ele considera o papel da crítica, as características de um bom crítico e, principalmente, que para escrever uma boa crítica é preciso entender a linguagem cinematográfica e treinar o olhar apurado sobre os filmes. Tudo isso, parece óbvio e já busco fazer por aqui, mas observar a experiência de alguém como o Pablo que é membro da associação de críticos de NY, é sempre uma experiência muito boa. Baseado na premissa de que é preciso conhecer sobre cinema para criticá-lo, Pablo falou um pouco sobre linguagem cinematográfica, o roteiro, a direção e ilustrou com exemplos de trabalhos bem sucedidos. Dentre estes, Seven, Scarface, Cidadão Kane, 12 homens e uma sentença. Segundo Pablo, as características de um bom crítico são:

- Escrever bem
- Imparcialidade ao entrar no filme, mas parcialidade ao escrever
- Ética
- Comparar visões
- Conhecimento teórico prático
- Ter mente aberta
- Avaliar o filme pelo que ele se propõe
Claro que colocado assim, fica parecendo receita de bolo, mas o importante é que todo crítico é antes de tudo um cinéfilo que foi apurando o seu olhar e desenvolvendo o seu senso crítico.
O segundo dia foi com Cláudio Marques, do Coisa de Cinema e Cine Gláuber Rocha / Unibanco. A abordagem do crítico e realizador baiano foi um pouco diferente. Baseando-se no grande crítico que a Bahia teve (Walter da Silveira), traçou um histórico focado no cinema baiano e sua evolução desde as primeiras reuniões do Cine Clube. Complementando a idéia de que para criticar é preciso conhecer o assunto, a aula ajudou a trazer o nosso passado, confirmando a máxima de que é preciso compreender a visão da época para admirar a grandeza de um filme. Partindo das críticas, foram exibidos trechos dos filmes Redenção, Bahia de todos os Santos, A grande Feira, Sol sobre a lama, Deus e o Diabo na Terra do Sol. Apesar de já ter conhecimento do fato, foi interessante constatar o quanto Geraldo Del Rey foi o grande astro do cinema baiano no seu início, presente em todos os filmes citados, sem contar que ele fez ainda O Pagador de Promessas.
Cláudio nos presenteou com uma apostila repleta de textos de Walter da Silveira, com críticas de diversas épocas. Ler e compreender a visão de um dos mais importantes agitadores culturais do Estado é uma boa base. Por tudo isso, fiquei bastante satisfeita com o curso. Amanhã outra turma começa as aulas de adaptação e no fim de semana tem linguagem cinematográfica. Uma boa iniciativa que espero que se repita por muitos anos.
E já que o momento político é propício, segue um vídeo de Gláuber, citado no curso: