
A história fictícia que conduz a trama é fraca ao não aprofundar a construção de seus personagens e suas motivações. O jovem Rafa, interpretado pela grata surpresa Lee Thalor, é um boneco da situação, desde o crime acidental que comete até o desenrolar de sua trama na penitenciária. Pouco é explorado do seu drama e das consequências que todos os jovens sofrem ao serem presos no país. A professora Lúcia, vivida magistralmente por Andréa Beltrão também se torna um joguete nas mãos do PCC, sem explorar a dor da mãe que vê seu filho naquela situação precária, não podendo se destacar uma única cena realmente forte. Resta ainda a estranha Ruiva, que comanda os acontecimentos de fora da cadeia com um esquema de comunicação próprio. Denise Weinberg está bem em alguns momentos, mas em outros é bastante caricatural, o que me causou uma certa agonia.

Dificilmente conseguirá a sonhada indicação ao Oscar, o que me faz questionar o porquê de ter vencido a disputa com filmes como O Contador de Histórias, A Festa de Menina Morta, Feliz Natal ou Se nada mais der certo. Talvez, o fato dele ser uma possível boa bilheteria, já que o diretor tem um bom histórico nessa área, ou pelo fato de nenhum dos filmes citados ser incontestavelmente um grande filme. Todos bons, mas nenhum tem o brilho de um grande clássico cinematográfico.
A direção me impressionou, esperava menos, principalmente das cenas de ação. A produção é detalhada, com grandes investimentos e ajuda na construção da sensação da megalópole sitiada. A trilha sonora também chama a atenção e tem razão de ser, já que Lúcia é uma pianista frustrada e a música clássica é a trilha das cenas mais violentas, construindo um contraste empolgante.
O final ainda deixa uma sensação de inversão de valores, impunidade e futuro incerto. Nada presta? Não gosto de pensar em uma definição tão pessimista para humanidade. É uma história bem contada, mas não mais que isso. Uma pena, poderia ser um grande filme se ousasse ir além.