
Seu maior feito, no entanto, foi mesmo a conquista da Palma de Ouro em Cannes (1962) com O Pagador de Promessas. O filme concorria com ícones do cinema, como O Anjo Exterminador de Luis Buñuel, O Eclipse de Michelangelo Antonioni, Le Proces de Jeanne DArc, além de Electra de Michael Cacoyannis, seu mais forte concorrente segundo anúncios da época.

O Pagador de Promessas, baseado na peça de Dias Gomes, conta a história de Zé do Burro e sua saga para pagar a promessa que fez a Santa Bárbara pela vida de seu burro de estimação. Com cunho altamente político, em prol dos menos favorecidos, mostrando a intolerância da igreja e a esperteza da imprensa que se aproveita do fato, o filme fez sucesso e continua atual. Não tem uma linguagem inovadora, nem as alegorias tão comuns em filmes de Gláuber Rocha, por exemplo, mas nem por isso é um filme menor. No elenco nomes como Leonardo Villar, Glória Menezes, Othon Bastos e Geraldo Del Rey ajudam a contar a comovente história. Talvez a honestidade com que o cineasta fez o filme, querendo passar a sua mensagem o tenha tornado universal. Zé do Burro é uma espécie de novo Cristo e Anselmo Duarte parece ter sido crucificado junto com ele. Uma pena, porque talento ele mostrou ter de sobra. O Pagador de Promessas é um clássico, um marco que merece ser lembrado e relembrado sempre. Esta é a melhor homenagem que podemos fazer a esse grande cineasta.